Estudo concluiu que melhoria ecológica dos rios pode não se refletir na biodiversidade
21 de fev. de 2024, 17:25
— Lusa
"A
riqueza de espécies é uma métrica que, em geral, traduz impactos
antropogénicos dos rios. No entanto, à escala europeia, observamos
respostas mistas, como situações em que o aumento da riqueza não se
traduz necessariamente numa melhor qualidade ecológica", explicou Maria
João Feio, coautora do estudo.O estudo
refere que "o progresso observado na qualidade ecológica de alguns rios
europeus, entre 1990 e 2010, não se reflete consistentemente na melhoria
da biodiversidade, medida pela riqueza das espécies".Segundo
a investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da
Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, "tal pode acontecer quando há,
por exemplo, um aumento de espécies tolerantes e também de espécies não
nativas, que levam a um aumento da riqueza, mas refletem degradação
antropogénica".A docente universitária
considerou necessário investir numa monitorização regular e padronizada
das comunidades aquáticas dos rios (bioindicadores), por peritos, que
contemple uma boa identificação das espécies de invertebrados, a análise
detalhada de um grande conjunto de métricas e aspetos da composição das
comunidades, abundâncias de cada espécie, assim como as suas funções no
ecossistema.O objetivo é o de que mais
tarde seja possível examinar de forma efetiva como evoluíram as
comunidades em função dos efeitos das alterações antropogénicas,
climáticas ou medidas de recuperação.Nesta
investigação, após a organização de uma base de dados comum à escala
europeia, foram analisadas 1.365 comunidades de invertebrados aquáticos
de mais de duas dezenas de países europeus."Estudámos
a evolução das alterações antropogénicas ao longo do tempo, usando
diferentes métricas, que são normalmente utilizadas para avaliar a
biodiversidade e a qualidade ecológica dos rios, nomeadamente a
abundância, riqueza de taxa (ou espécies), equitabilidade ou composição
das comunidades e índices de qualidade biológica, padronizados na
Comunidade Europeia e usados pelas agências oficiais do ambiente e água
na monitorização dos rios", concluiu a Maria João Feio.