Estudo conclui que viajar aumenta bem-estar dos idosos e diminui ansiedade
20 de ago. de 2018, 14:46
— Lusa/AO Online
O
estudo "Turismo Sénior, caracterização geográfica e impactos
biopsicossociais", que terminou em maio e que foi conduzido pelo
presidente da Associação Nacional de Gerontologia Social, Ricardo
Pocinho, e pelo professor do Instituto Politécnico de Castelo Branco
José Rodrigues, mostra que os idosos que costumam viajar têm uma
perceção positiva em relação ao seu bem-estar.Da
mesma forma, apresentam sintomas de solidão mais baixos do que a
restante da população idosa, assim como a ausência de sintomas de
depressão e ansiedade.Baseado
num inquérito feito em Portugal continental e ilhas a 658 pessoas, 342
do género masculino e 316 do género feminino, com idades entre os 65 e
85 anos, a investigação concluiu que 64,9% viajam com o respetivo
cônjuge, vivem em meios urbanos e têm habilitação escolar a nível do
secundário.O
investigador salientou que o estado civil "não altera a sintomatologia",
pois "é possível sentir solidão mesmo estando acompanhado" e que "com
as viagens melhoraram o seu bem-estar"."Esta
foi a primeira surpresa do estudo. Apesar de não termos dados
científicos, tínhamos a perceção de que quem viaja possuía habilitações
ao nível do ensino superior. A nossa amostra foi totalmente casual,
entrevistando pessoas que estavam um pouco por todo o país e que não
viviam nessas cidades. Verificámos que a maioria tem, no máximo, o
ensino secundário", afirmou Ricardo Pocinho.O investigador justificou que, "hoje, as habilitações de jovens com 20 ou 30 anos seriam totalmente diferentes".Ricardo
Pocinho acrescentou que os inquiridos "tanto estavam em espaço
religiosos como em urbes" e que o objetivo foi "tentar diversificar ao
máximo"."Constatámos
também que 180 pessoas ainda se encontravam no ativo, o que é uma
evidência de que hoje se trabalha até mais tarde".Mais de 50% dos inquiridos faz duas viagens por ano, sem sair do país, e revelam ter boa forma física e mental.No
decurso da investigação, foi também analisada a importância que o
turismo sénior tem nos idosos a nível biopsicossocial, tendo-se revelado
ser igualmente positivo.Ricardo
Pocinho adiantou que, depois do estudo e da publicação em revistas
internacionais da especialidade, irá apresentar estes resultados ao
Governo, para que, de alguma forma, possa apoiar o turismo sénior."Em
Portugal, não temos o turismo muito dimensionado para seniores e até
para o seu tipo de patologias. Os equipamentos são pouco acessíveis e
até em termos económicos nem sempre é fácil para estas pessoas. Não
temos informação de nenhum médico, mas é do senso comum que quem é menos
ansioso, menos depressivo e com menos solidão irá tomar menos fármacos.
E quando tanto se fala na sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde
esta é uma resposta", sublinhou.Este
estudo surgiu depois da investigação relacionada com o impacto positivo
das universidades seniores nas pessoas desta idade. "Verificámos que as
universidades seniores reduziam a sintomatologia de ansiedade e
depressão e as pessoas que viviam o fenómeno da solidão conheciam uma
melhoria da qualidade de vida e perguntámo-nos se haveria outras
questões capazes de também o fazer”.Ricardo
Pocinho garantiu ainda que "qualquer item do estudo foi avaliado por
estatística profissional, com coeficiente Alfa de Cronbach, o que mostra
que há confiabilidade nos dados e elevada consistência".