Estudo conclui que crianças e adolescentes são quem mais consome açúcar em Portugal
19 de set. de 2019, 08:27
— Lusa/AO Online
O estudo, recentemente publicado na revista
'Public Health Nutrition', analisou dados de 5.811 pessoas, com idades
entre os três meses e 84 anos, relativos ao consumo de açúcares e que
foram recolhidos, entre 2015 e 2016, no âmbito do Inquérito Alimentar
Nacional e de Atividade Física. "O nosso
objetivo foi caracterizar o consumo de açúcar na população portuguesa e,
além de caracterizar, perceber quais eram os alimentos que contribuíam
para esse consumo", disse à Lusa, Ana Rita Marinho, autora do estudo e
investigadora do ISPUP. Desta forma, a
investigação analisou o consumo total de açúcares e o consumo diário de
açúcares livres [açúcar que é adicionado aos alimentos pelos
consumidores ou indústria e o açúcar que está presente no mel, xaropes,
concentrados e sumos de fruta]."Tem havido
um foco muito grande nos açúcares livres, porque a Organização Mundial
de Saúde (OMS) reforçou e colocou valores limite de consumo de açucares
livres mais reduzidos", disse, adiantando que a recomendação da OMS
defende uma ingestão inferior a 10% do valor energético diário. Segundo
a investigadora, os grupos que apresentaram uma "menor adesão" a esta
recomendação da OMS foram as crianças e os adolescentes, sendo que os
refrigerantes, iogurtes, cereais e doces foram os alimentos que mais
contribuíram para o elevado consumo. "Verificou-se
que os portugueses consomem em média 84 gramas de açúcares totais por
dia e 35 gramas de açúcares livres, sendo o consumo superior em
crianças, dos 5 aos 9 anos, que consomem 50 gramas por dia de açúcares
livres, e em adolescentes, dos 10 aos 17 anos, que consomem 53 gramas
por dia de açúcares livres", garantiu.Por
sua vez, os indivíduos com mais de 65 anos foram os que apresentaram
"uma maior adesão a esta recomendação", e consequentemente, "melhores
consumos". Para Ana Rita Marinho, este
estudo, ao caracterizar o consumo de açúcar por grupos etários e os
alimentos que motivam esse consumo, pode ser um "bom instrumento para
definir estratégias de saúde pública"."O
estudo permite que do ponto de vista dos profissionais de saúde,
decisores políticos e científicos ver o que pode ser feito junto destes
grupos para diminuir o seu consumo", concluiu. À
Lusa, a investigadora adiantou que o objetivo da equipa do ISPUP passa
agora por perceber se estes consumos podem estar relacionados com
potenciais problemas de saúde.