Estudo conclui que ansiedade sobre a vacina está a aumentar
23 de dez. de 2020, 18:21
— Lusa/AO online
“Há um crescente aumento do
nível de ansiedade dos portugueses que condiciona não só a saúde mental,
mas a tomada de decisão sobre a vacinação”, afirmou hoje, em
declarações à Lusa, Patrícia Batista, investigadora do Human
Neurobehavioral Laboratory da Católica do Porto.No
estudo, que envolveu dois questionários diferentes, participaram 1.018
pessoas, com idades entre os 18 e 76 anos, sendo que a maioria dos
participantes tinha entre 18 e 30 anos e era do sexo feminino.O
primeiro questionário – dedicado ao tema de crenças de saúde – estava
subdividido em quatro tópicos: a gravidade da doença, suscetibilidade
percebida, as barreiras e benefícios da vacinação.Segundo
Patrícia Batista, a maioria dos participantes afirmou ter medo de ficar
doente com covid-19 e 71,8% disse estar preocupado com a probabilidade
de ficar infetado pelo novo coronavírus nos próximos meses.A
grande maioria dos inquiridos (90,8%) seja a favor da vacinação em
geral e destaca que a vacinação diminuirá a hipótese de ficar infetado
pelo SARS-CoV-2.Mais de metade dos participantes no inquérito, afirmou estar preocupado com os efeitos colaterais da vacina covid-19.“Também
foi referida a acessibilidade e a eficácia da vacina. Aliás, nesta
matéria, 67% dos inquiridos afirmaram estar preocupados com a eficácia”,
acrescentou a investigadora.Patrícia
Batista adiantou que 84,4% dos inquiridos referiu “tomar a vacina
covid-19 caso tenham informações suficientes sobre a segurança e
eficácia” da mesma.“Isto demonstra também a ansiedade, uma vez que vai ao encontro da preocupação”, referiu.Já
no segundo questionário, assente nos níveis de ansiedade, 44% dos
participantes referiram sentir-se ansiosos e nervosos vários dias.“Neste
questionário fizemos um enquadramento temporal relativamente ao grau de
ansiedade no geral e perante o desenvolvimento e disponibilização da
vacina”, referiu a investigadora, acrescentando que o enquadramento foi
segmentado em três partes, uma referente ao início da pandemia, outro
aos meses do verão e outro à situação atual.“Verificamos
que este grau de ansiedade sofreu um decréscimo nos meses de verão,
tendo agora voltado a aumentar”, disse, acrescentando que a ansiedade
dos inquiridos se mantém “num estado intermédio”.A
investigadora disse ainda que as conclusões deste estudo permitem
demonstrar, com base científica, que é necessária a “promoção da saúde,
clareza da informação, campanhas de sensibilização eficazes e o aumento
da literacia em saúde”, fatores que considera que vão “ajudar os
portugueses na tomada de decisão sobre a vacina covid”.O
estudo, intitulado ‘Covid-19 vacina: do poder biotecnológico ao impacto
psicológico’ decorreu entre 26 de outubro e 11 de dezembro e já foi
submetido a publicação.A pandemia de
covid-19 provocou pelo menos 1.718.209 mortos resultantes de mais de
77,9 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço
feito pela agência francesa AFP.Em
Portugal, morreram 6.343 pessoas dos 383.258 casos de infeção
confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da
Saúde.