Estudo conclui que 74% dos portugueses desconhecem colesterol que têm
11 de mai. de 2023, 08:47
— Lusa/AO Online
O
estudo “Os Portugueses e o Colesterol 2023” realizado pela GFK Metris
para a FPC vai ser divulgado hoje na apresentação da campanha da
fundação “Maio, mês do coração”, que visa sensibilizar a população para a
importância de proteger o seu coração, controlando os níveis de
colesterol mau (LDL), um dos principais fatores de risco das doenças
cardiovasculares e cerebrovasculares, e dar a conhecer o estado atual da
situação cardiovascular em Portugal.Segundo
o estudo, que decorreu em abril e envolveu 800 pessoas com 18 ou mais
anos residentes no continente, 88% dos inquiridos com idades entre os 18
e os 24 anos desconhece o valor do seu colesterol, valor que desce para
86% nas idades entre os 25 e os 44 anos, para 66% entre os 45 e os 64
anos, subindo para 69% nos inquiridos com 65 ou mais anos. A
grande maioria (89%) sabe que o colesterol é uma gordura que circula no
corpo das pessoas e 64% refere que o valor normal é inferior a 190
mg/dL. De entre as doenças provocadas por
colesterol elevado, 42% destaca o acidente vascular cerebral (AVC), 25% o
enfarte miocárdio e 18% as doenças cardiovasculares. Como principal
causa do enfarte miocárdio, 49% aponta o colesterol elevado e 32% a
hipertensão.Um terço dos inquiridos
considera falso que alguns suplementos alimentares fazem melhor ao
colesterol do que as estatinas que os médicos receitam e a quase
totalidade rejeita a ideia de que “a prática regular do exercício físico
não traz vantagens para quem tem o colesterol elevado” ou que “Os
magros não têm que se preocupar com o colesterol. Isso é um problema dos
gordos”.Em declarações à agência Lusa, o
presidente da FPC, Manuel Carrageta, afirmou que o estado de saúde dos
portugueses “piorou após a pandemia e as doenças cardiovasculares
continuam a ser a principal causa de morte em Portugal”, sendo
responsáveis por cerca de 30.000 mortes anualmente, quase um terço do
total de óbitos. Segundo a FPC, cerca de oito em cada 10 óbitos de causa cardiovascular que ocorrem antes dos 70 anos podem ser evitados.A
Fundação salienta que, em cada 15 minutos, morre uma pessoa por doença
cardiovascular em Portugal, uma realidade que tem que ser revertida,
alertando a sociedade para a urgência de considerar o colesterol como um
fator determinante do risco cardiovascular, que se estiver controlado
pode ajudar a reverter esta situação.“Só o
enfarte do miocárdio mata, em média, mais de duas pessoas por dia”,
precisou o cardiologista, explicando que esta doença se deve em “grande
parte” aos fatores de risco, nomeadamente o colesterol.Segundo Manuel Carrageta, ainda há “um certo desconhecimento do seu significado, muitos mitos e muita controvérsia”.“O
colesterol elevado não causa sintomas e quando estes ocorrem já é sob a
forma de eventos cardiovasculares no caso do enfarte do miocárdio”,
alertou, lembrando um estudo da FPC que mostra que dois terços da
população têm colesterol elevado.Apontou
também que outro estudo recente verificou que mais de 90% dos doentes
com risco cardiovascular elevado e muito elevado não tem o colesterol
nos valores recomendados e cerca de 20% dos doentes de muito alto risco
não fazem qualquer medicação.Manuel
Carrageta salientou a importância do tratamento com estatinas, que
assegurou serem “fármacos seguros e fundamentais” para reduzir estas
doenças, ao contrário da ideia que “se criou na opinião pública”.A
FPC, a Portugal AVC e a Associação de Apoio aos Doentes com
Insuficiência Cardíaca uniram-se para criar a Coligação Nação Invisível,
que pretende alertar para a necessidade de se olhar para o impacto das
doenças cardiovasculares na população e como ajudar na sua prevenção,
assim como desenvolver um programa de ações focado em desencadear uma
mudança de comportamento na sociedade,A
coligação nasce da preocupação dos seus fundadores com “o atual cenário
das doenças cardiovasculares em Portugal e com a falta de medidas e
ações por parte das autoridades de saúde para reduzir, de forma eficaz, o
impacto negativo que têm em Portugal, numa perspetiva médica, social e
económica”.