Estudo com idosos revela que a estimulação do cerebelo melhora a memória
11 de mai. de 2023, 17:05
— Lusa
A conclusão
desta investigação, coordenado pelo docente e investigador da Faculdade
de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra,
Jorge Almeida, aponta o papel desta zona do cérebro para atrasar o
declínio cognitivo associado ao envelhecimento, reforçando a importância
de intervenções não farmacológicas nesta prevenção, refere a UC numa
nota de imprensa enviada hoje à agência Lusa.O
estudo contou com a participação de pessoas saudáveis, com mais de 60
anos, que foram sujeitas a um treino cognitivo e a uma técnica de
estimulação neuronal indolor, ou seja, a neuroestimulação transcraniana
por corrente direta.A investigação mostrou
“uma melhoria na capacidade de idosos saudáveis se recordarem de listas
de palavras, após somente doze sessões consecutivas de estimulação
cognitiva e neuronal”, disse citado na mesma nota, Jorge Almeida.No
que respeita às melhorias apresentadas, “os indivíduos estimulados no
cerebelo foram capazes de se recordar de mais quatro palavras, em média,
num total de 16, quando comparados com os outros grupos de controlo”,
sublinhou o também diretor do Proaction Lab e investigador do Centro de
Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental. O
aumento na capacidade de memória foi acompanhado de “modificações ao
nível neuronal na ligação entre as áreas responsáveis pela memória”.Isto
significa que o “efeito da estimulação do cerebelo” foi também “visível
nas estruturas neuronais que suportam a memória episódica, fortificando
as suas conexões”. Estas melhorias foram
registadas imediatamente após o programa de intervenção, que teve a
duração de 12 dias, e continuaram estáveis no controlo feito quatro
meses depois.“Estes dados demonstram a
nossa capacidade de atuar, de forma simples e não farmacológica, numa
das maiores queixas relacionadas com o declínio cognitivo na terceira
idade – a nossa capacidade de nos recordarmos de coisas do nosso
dia-a-dia”, explicou, Jorge Almeida.O
estudo envolveu uma equipa multidisciplinar e multinacional composta por
psicólogos, médicos e engenheiros de várias universidades,
designadamente de Coimbra, de Harvard, nos Estados Unidos e de São
Paulo, no Brasil.A investigação aponta
também “para um papel renovado do cerebelo ao nível dos processos
cognitivos e no modo como a mente funciona, que vai para além da típica
ligação aos aspetos de coordenação de movimento”.A
UC deu ainda nota de que com a esperança média de vida a aumentar, a
Organização das Nações Unidas (ONU) estima que, em 2050, uma em cada
seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos. Esta
previsão demográfica vai colocar “desafios enormes à sociedade, dado
que o envelhecimento está fortemente ligado ao declínio cognitivo, a
doenças neurodegenerativas e a fragilidades diversas”.Considerando
que a memória episódica será, provavelmente, a “maior vítima do
declínio cognitivo associado ao envelhecimento”, os autores do estudo
revelam “esperança nos resultados face ao contexto demográfico atual e
futuro, e reforçam a importância de intervenções não farmacológicas para
a prevenção e diminuição do declínio cognitivo” em idosos.O
artigo científico intitulado “The cerebellum is causally involved in
episodic memory under aging” está disponível em
https://link.springer.com/article/10.1007/s11357-023-00738-0.