Estudo aponta três prioridades para resolver o problema

Hoje 10:44 — Nuno Martins Neves

Com o diagnóstico feito, qual o remédio para a economia portuguesa aumentar a sua produtividade e começar a aproximar-se da média europeia? Para o estudo “Comparar para Crescer” não há truques de magia, mas antes soluções já conhecidas que, no entanto, não são executadas.Ao todo, são três as “prioridades fundamentais” que o estudo da Associação Business Roundtable Portugal aponta, desde a simplificação burocrática, mais investimento e aposta em setores mais produtivos. Em suma, dar resposta aos bloqueios assinalados: não se trata da invenção da roda, mas mais colocá-la a andar.“Primeiro, aumentar o investimento produtivo através de um enquadramento regulatório que torne os processos de licenciamento mais estáveis e previsíveis. Segundo, promover o crescimento das empresas através da remoção de obstáculos e melhorar as condições para a sua capitalização. Terceiro, valorizar o fator trabalho, apostando cada vez mais na promoção de empregos qualificados, em setores tecnológicos e aliviando o tratamento fiscal da progressão salarial”, lê-se no estudo.Mais em pormenor, o investimento público deve ser feito por “retorno económico e social”, não por facilidade de execução, com o investimento privado a dispor de “instrumentos simples, previsíveis e mensuráveis”.A retenção de talento é um dos pontos-chave, apelando aqui à redução da carga fiscal sobre o trabalho e à simplificação do IRS.Diversificar a economia também é apontado como um passo “fundamental”, fazendo uma transição de um “modelo de serviços, baseados na mão de obra intensiva, para uma economia focada no conhecimento técnico, na indústria e na tecnologia”.Aumentar a escala das empresas, através da simplificação do IRC, por exemplo; e transformar o Estado num “facilitador previsível” são outro dos aspetos assinalados, terminando com a redução dos custos energéticos que, no entender do estudo, sem isso “a indústria portuguesa continuará exposta a custos de contexto que dificultam investimento e crescimento”.Quem é a Associação Business Roundtable Portugal?Trata-se de uma organização “independente, apolítica, não associada ou relacionada com qualquer outra entidade, e de exercício do dever de cidadania das empresas associadas, das suas lideranças, e não de defesa dos seus interesses”, segundo as suas próprias palavras.Com o objetivo de “acelerar o crescimento económico e social de Portugal, para garantir um país mais justo, próspero e sustentável”, a associação é constituída por 46 líderes de empresas e grupos empresariais de diferentes setores. Carlos Moreira da Silva,  representante da BA Glass e CEO e fundador da Teak Capital, é o seu presidente, cuja direção conta ainda com Cláudia Azevedo (CEO da Sonae) e Nuno Amado (Millenium BCP).