Estudo aponta para necessidade de se aumentar Taxa Municipal Turística no Porto
26 de fev. de 2024, 13:23
— Lusa/AO Online
O estudo,
apresentado durante a reunião do executivo municipal pelo professor
José Rio Fernandes, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto,
salienta que o valor atualmente cobrado é reduzido relativamente a
outras cidades com uma intensidade turística superior ou idêntica à do
Porto.“O Porto é das cidades da Europa com
maior intensidade turística”, afirmou Rio Fernandes, destacando que
este fator “suporta a ideia” de que a taxa deve ser aumentada na cidade.O
docente lembrou, no entanto, que a taxa municipal turística “não é um
elemento de dissuasão do turismo” e que “não é por aumentar que vai
deixar de haver turismo” na cidade.Rio Fernandes sugeriu ainda que o valor da taxa seja revisto de dois em dois anos. Apesar
das conclusões do estudo - também elaborado pelos docentes Luís
Carvalho e Pedro Chamusca -, não foi tomada qualquer decisão por parte
do executivo municipal, que irá posteriormente decidir a proposta de
revisão da taxa turística a submeter a consulta pública.Na
reunião, o vereador da Economia da Câmara do Porto disse ter “alguma
dificuldade em acompanhar a diferença entre freguesias”, notando que a
diferença do valor da taxa teria de ser justificada legalmente com
despesas.Também o presidente da Câmara do
Porto, Rui Moreira, disse não concordar com a diferenciação de taxas
entre freguesias e que preferia avançar “com uma taxa única de três
euros”.Pelo BE, o vereador Sérgio Aires
afirmou ser preciso aprofundar o estudo, considerando, no entanto,
“injusta” a aplicação da taxa a cidadãos nacionais.“Estamos
a dificultar a vida a um português que quer fazer turismo no seu
próprio país”, afirmou o bloquista, questionando ainda a “módica
quantia” cobrada e considerando que, face a outras cidades europeias,
Portugal faz “descontos”.Em resposta, o
independente Rui Moreira disse também preferir que o valor cobrado fosse
superior, mas que para tal acontecer será necessária uma alteração
legislativa.“Seria razoável criar um imposto municipal do turismo que fosse uma decisão política”, referiu.Também a vereadora Ilda Figueiredo, da CDU, defendeu a necessidade desta taxa ser transformada num imposto nacional.“Não
faz muito sentido que em Portugal se ande a fazer uma política de taxas
e taxinhas de diferentes valores nas cidades”, considerou, defendendo a
necessidade de aprofundar o estudo hoje apresentado para garantir o
“equilíbrio” entre a atividade turística e os moradores.A
vereadora socialista Rosário Gamboa destacou a necessidade de se
refletir sobre o estudo apresentado, à semelhança do social-democrata
Alberto Machado, que defendeu uma análise aprofundada relativamente às
conclusões apresentadas.O vereador do PSD
disse, no entanto, não concordar com a diferenciação de taxas entre
freguesias, lembrando que “não há consignação de receita” e que a Taxa
Municipal Turística não pode ser afetada a políticas na respetiva área.Em
2022, a Taxa Municipal Turística gerou uma receita de 15 milhões de
euros, estimando o município que a receita de 2023 seja superior a 20
milhões de euros.