Estudo aponta imigrantes como fundamentais para sucesso agrícola no sudoeste alentejano

15 de jan. de 2025, 17:08 — Lusa/AO Online

Estas são algumas das principais conclusões da 2.ª edição do Barómetro da Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur (AHSA), que foi realizado junto de mais de 40 empresas suas associadas, entre 31 de outubro e 27 de novembro de 2024.Em comunicado enviado hoje à agência Lusa, a AHSA indicou que os dados revelam que “73% das empresas já têm mais de metade dos seus postos de trabalho preenchidos por imigrantes, que representam até mais de 75% dos trabalhadores em 45% delas.Segundo o estudo, “a maioria das empresas agrícolas do sudoeste alentejano (83%) considera os imigrantes fundamentais para o sucesso da atividade”.“A comunidade imigrante é valorizada por todas as empresas do barómetro” e a maioria destaca a “sua contribuição significativa para a sustentabilidade e crescimento do setor”, disse a AHSA.No que respeita aos principais países de origem dos trabalhadores imigrantes nas empresas agrícolas dos concelhos de Odemira, no distrito de Beja, e de Aljezur, no de Faro, a lista é encabeçada pelo Nepal (mencionado por 86% das empresas), seguindo-se a Índia (48%) e a Tailândia (41%).De acordo com o barómetro, foi identificada ainda a presença de trabalhadores do Bangladesh (17%), Ucrânia (14%), Moldova e Paquistão (7%), assim como da Bulgária, Brasil, Vietname e Portugal (3%), num total de 11 nacionalidades.No entender da AHSA, estes números refletem “a diversidade e o contributo destas comunidades para o setor” agrícola neste território e obrigaram já a investimentos na criação de condições de alojamento, uma das dificuldades apontadas pelas empresas.A “indisponibilidade de alojamento adequado” para os trabalhadores foi apontada por 62% dos inquiridos e, na opinião de 59% dos associados, esta situação reflete-se na “permanência de imigrantes em Portugal”.“Neste contexto, 42% dos respondentes identificam os processos de licenciamento como um desafio, enquanto 21% acrescentam os elevados custos de investimento e arrendamento como questões a considerar”, precisa.Além disso, a “pouca disponibilidade” de alojamento é outro fator apontado por 29% das empresas.A AHSA destacou ainda que “a maioria das empresas (35%) já investiu, pelo menos, até 50 mil euros em soluções habitacionais para os seus trabalhadores migrantes”, sendo que “mais de 20% dos inquiridos revelaram investimentos superiores a um milhão de euros em habitação para os [seus] colaboradores”.Por outro lado, segundo as empresas, “o principal dissuasor à contratação de mão-de-obra nacional na agricultura assenta no desinteresse generalizado pela atividade, apontado por 83% dos respondentes, seguido do envelhecimento da população local (28%) e da falta de qualificação (21%)”.Ainda neste âmbito, os salários não atrativos, a pouca competitividade na oferta de condições comparativamente com outros países da União Europeia, a alta sazonalidade da atividade que resulta em grandes picos de necessidade de mão-de-obra e a indisponibilidade para trabalhar legalmente foram reconhecidos por 3% dos inquiridos.