Estudo alerta para consumo frequente de algas face a presença de metais tóxicos
20 de jun. de 2025, 16:35
— Lusa/AO Online
O
estudo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra
(FCTUC), em colaboração com a Universidade de Aveiro, analisou um total
de 113 amostras selvagens e 18 produtos vendidos em supermercados em
Portugal e Espanha, tendo encontrado níveis de metais tóxicos, arsénio e
iodo que podem ser prejudiciais para a saúde humana.Em
declarações à agência Lusa, a investigadora do Centro de Ecologia
Funcional da Universidade de Coimbra Elsa Teresa Rodrigues afirmou que o
trabalho surgiu depois de “um ‘boom’ no consumo de macroalgas e
halófitas [plantas adaptadas a viver perto do mar, como a salicórnia]” e
de se saber que estas plantas “têm capacidade de retirar do ambiente
metais tóxicos”.“São organismos que têm mecanismos celulares que favorecem a absorção de metais tóxicos presentes no ambiente”, explicou.A
equipa de investigadores foi recolher macroalgas e halófitas em todo o
país (incluindo Madeira e Açores), à procura de avaliar os níveis de
concentração de metais tóxicos (cádmio, chumbo e mercúrio) e de arsénio e
de iodo, assim como em algas vendidas em supermercados.Na
análise feita pela equipa, as macroalgas castanhas (onde se encontram a
kombu ou a wakame, muito utilizadas na gastronomia japonesa)
revelaram-se aquelas que apresentam níveis mais elevados dos elementos
químicos referidos. “Se formos a uma
grande superfície, todas elas têm um corredor de alimentos que promovem a
saúde, em que há uma prateleira cheiinha de embalagens com macroalgas –
muitas delas nem são produzias em Portugal e a maior parte são as algas
castanhas”, disse.Segundo Elsa Teresa
Rodrigues, “foram as algas castanhas aquelas onde se encontrou níveis
mais elevados e apresentam, talvez, o maior risco”.De
acordo com o estudo, depois das macroalgas castanhas, as que apresentam
maior risco são as chamadas algas vermelhas, depois as algas verdes e,
por fim, as halófitas, que “parecem ser seguras”, caso não cresçam em
zonas contaminadas (nomeadamente em rias e estuários).A
investigadora afirmou que a Comissão Europeia deveria estabelecer
níveis máximos de metais tóxicos, arsénio e iodo em algas destinadas ao
consumo humano, e consequente controlo.Para
Elsa Teresa Rodrigues, as pessoas devem evitar um consumo muito
frequente e em grandes quantidades de algas, especialmente das
castanhas.“Se for comprar peixe,
certamente não vai comer peixe de grandes dimensões todos os dias porque
há uma probabilidade de ter mercúrio”, disse, recomendando o mesmo tipo
de comportamento para algas, com um consumo consciente sobre a
quantidade e frequência que as ingere e selecionar “melhor as espécies
que vai consumir”. Para Elsa Teresa
Rodrigues, falta também um estudo do consumo de algas por parte da
população portuguesa para se perceber aquele que é a dose, em média, de
algas consumidas no país.“Sabemos que está
a aumentar a quantidade e a frequência com que se comem algas, mas não
sabemos exatamente com rigor e era preciso perceber a quantidade que
andamos a comer”, afirmou.