Estudantes dos Açores no continente abdicam de regressar à região
Covid-19
17 de mar. de 2020, 18:19
— Lusa/AO Online
Bárbara
Jasmins, natural da Lagoa, na ilha de São Miguel, e estudante na
Faculdade de Belas Artes, em Lisboa, afirma que a ansiedade ditada pela
distância familiar “tem sido controlada na esperança” de que o seu ato e
dos colegas açorianos “tenha o efeito de abrandar a pandemia”,
defendendo a jovem o encerramento dos aeroportos.Para
a estudante de Belas Artes, o amor pela família e a “necessidade de a
proteção daqueles que mais se gosta controla essa angústia de não poder
estar junto deles neste momento tão difícil”.Bárbara
Jasmins tem ocupado o seu tempo a canalizar o que sente no seu projeto
artístico e, com os “poucos recursos” disponíveis em casa, tenciona
“fazer uma obra em homenagem" à atitude dos colegas dos Açores.Tal
como a jovem, vários estudantes açorianos têm-se multiplicado em apelos
para impedir o regresso em massa dos estudantes aos Açores.Raquel
Andrade, natural da ilha Terceira, fez por exemplo um pedido nesse
sentido nas redes sociais, num texto que regista, até ao momento, mais
de três mil 'likes' (gostos).A jovem
estudante criou mesmo um grupo, com voluntários, de apoio às pessoas que
estão em casa em quarentena, com recurso a informação e vídeos sobre a
pandemia.Francisco Teles Medeiros, no
terceiro ano do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, também
natural da Lagoa, declara que não está ansioso e sente-se “bem por ficar
no continente”, sabendo que não está “a contribuir, de qualquer forma,
para a propagação do vírus”, para a sua família e conterrâneos. O
jovem estudante considera que “suspender as autorizações para os navios
atracarem foi bem decidido” e “deviam ter tomado também a decisão de
limitar o tráfego aéreo na mesma altura”, fechando os aeroportos da
região.Na sua opinião, deveria haver uma
exceção apenas para emergências médicas, como a deslocação de pessoal
médico e equipamentos médicos”, o que “garantiria que essas cadeias de
propagação fossem eliminadas”. Para
Henrique Medeiros, estudante de medicina em Coimbra, natural de Ponta
Delgada, “é importante selecionar a informação que se obtém” e “ler
apenas a informação partilhada por fontes fidedignas".A
ansiedade da distância é combatida a comunicar com outras pessoas, como
antigos colegas de casa, e por mensagens e videochamada com amigos e
familiares.Para Henrique Medeiros, deve
ficar “claro na consciência das pessoas de que situações como estas
podem voltar a acontecer” e que se deve “ter educação para saber como
agir de forma mais eficiente em futuros casos semelhantes”.Rita
Valério Raposo, natural de Ponta Delgada, a frequentar o mestrado em
Turismo, da Universidade Lusófona, considera que “não é fácil gerir a
ansiedade”, mas “há sempre a possibilidade de fazer videochamada" com os
seus familiares, com "mais frequência do que o costume", o que "é
sempre uma forma de distrair e matar algumas saudades”.Na
segunda-feira, o Governo dos Açores tinha definido o aeroporto de Ponta
Delgada como o único da operação da Azores Airlines - que opera de e
para fora da região -, em virtude do surto de Covid-19.O
Governo dos Açores anunciou também a suspensão do contrato de ligações
aéreas de "todas as ilhas dos Açores" para a Terceira "e desta para
todas as outras ilhas" da região.