Estudantes criam 'app' com dados sobre lotação de 580 praias
Covid-19
19 de mai. de 2020, 11:38
— Lusa/AO Online
O projeto foi
desenvolvido na Escola Secundária Serafim Leite, no referido concelho do
distrito de Aveiro, e foi concretizado pelos alunos Bruno Dylan, Diogo
Resende, Jorge Correia e Nuno Castro, do 12.º ano do curso
técnico-profissional de Programação.A
coordenação do trabalho coube à professora Fátima Pais, que explica que
todas as etapas de conceção do aplicativo se verificaram remotamente, já
que os alunos se mantêm com aulas à distância, e realça que o projeto
foi concluído "em tempo recorde", dado "o entusiasmo dos miúdos e uma
dedicação incrível, que chegou a ser de 14 horas por dia".Já
em processo de avaliação pela distribuidora de serviços digitais
Google, que, no contexto atual da pandemia de covid-19, requer a
validação do software por autoridades nacionais para garantia de que
esse não viola direitos individuais, a ‘app’ será de utilização gratuita
e chama-se "SandSpace" - expressão inglesa traduzível por "espaço de
areia"."Na base de tudo está o trabalho de
pesquisa e georreferenciação de todas as praias marítimas e fluviais do
país, com nome, localização por concelho e distrito, indicação de
latitude e longitude, temperatura e velocidade do vento", revela Fátima
Pais à Lusa, referindo que esse mapa abrange toda a costa continental e
também a dos arquipélagos dos Açores e Madeira.A
partir dessa base, as restantes funcionalidades dependem dos
contributos de quem estiver nos areais porque serão os utilizadores de
cada espaço balnear a fornecer à ‘app’ os dados sobre a sua ocupação
humana, para que o software os converta num indicador gráfico em que o
verde significa pouca densidade, o amarelo indica um número já
considerável de banhistas e o vermelho traduz uma lotação limite.Esse
sistema tipo semáforo refletirá sempre a média de ocupação dos últimos
120 minutos e exibirá também qual o número de utilizadores que
contribuiu para essa mesma média. Se o sinal for amarelo em resultado de
50 contributos, por exemplo, o aplicativo indica a que hora surgiram as
indicações de praia verde e em que momento apareceram os dados de
lotação vermelha, para que fique claro como essa densidade balnear
evoluiu nas últimas duas horas.O objetivo é
que a aplicação "apresente sempre informação atualizada" aos
utilizadores, sejam os que já estão a banhos ou aqueles que, em casa ou
noutra localização, ainda querem avaliar as condições de afluência às
praias mais próximas para decidir se vale a pena a viagem ou se é
preferível escolher outro destino ou outra data.Já
apresentada na plataforma de vídeos YouTube com locução do estudante
Tomás Toscano e edição do seu colega Vasco Pinto, a aplicação também
lista as restrições legais impostas pela pandemia do vírus SARS-CoV-2 à
presente época balnear, para que os utilizadores do software conheçam as
restrições sanitárias em causa e sejam sensibilizados para o
cumprimento das regras de distanciamento e etiqueta higiénica."É
um projeto na lógica do ‘crowd power' [poder da multidão] e, além de
ajudar a população a evitar viagens desnecessárias à praia, também
permite que os alunos envolvidos no projeto desenvolvam ainda mais as
suas competências técnicas e contribuam para a sociedade com um serviço
de utilidade realmente pública", conclui Fátima Pais.