Estrutura de Missão rejeita reabertura de Agendas Mobilizadoras nos Açores
PRR
17 de mai. de 2022, 14:42
— Lusa/AO Online
Numa
audição na comissão de inquérito ao processo das Agendas Mobilizadoras
do parlamento açoriano, que decorreu, esta terça-feira, em Ponta Delgada, Fernando
Alfaiate disse que existem 64 Agendas Mobilizadoras em “fase de
avaliação” e que “não está prevista” a reabertura de candidaturas. A
20 de outubro, depois de críticas ao processo das Agendas Mobilizadoras
nos Açores, o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro,
anunciou que aquelas candidaturas de empresas açorianas a 117 milhões de
euros do PRR iriam começar do zero, com a garantia de que não se
perderia um cêntimo.“Se as Agendas
Mobilizadoras vão recomeçar, ou partir do zero? Não. Não há essa
possibilidade. Inclusivamente, do ponto vista dos montantes previstos no
PRR, são muito reduzidos face à procura que existiu”, assegurou Fernando Alfaiate.O responsável acrescentou não ver “possibilidade de atender a novos concursos que possam ser abertos e recomeçar do zero”. “Nesse
aspeto, nada a dizer além disso”, reforçou Fernando Alfaiate, quando
questionado sobre a possibilidade de o processo ser reaberto.O
líder da missão Recuperar Portugal lembrou que foram contratualizados
com os Açores 580 milhões de euros provenientes do PRR e disse não ter
conhecimento da verba de 117 milhões alegadamente canalizada para a
região no âmbito das Agendas Mobilizadoras.“No
âmbito do item das Agendas Mobilizadoras, não tenho conhecimento de
nenhuma atribuição especifica para as regiões autónomas”, assinalou.Fernando
Alfaiate revelou que teve conhecimento, em agosto de 2021, por parte do
anterior ministro do Planeamento Nelson Souza, de que as regiões
autónomas teriam a “possibilidade adicional” de participar em avisos
nacionais do PRR.Esta participação dos
arquipélagos só pode decorrer até ser atingida a verba equivalente a 1%
do PRR, que no caso dos Açores corresponde a 117 milhões de euros.“O
ministro do Planeamento deu-me informação relativamente à possibilidade
de as regiões autónomas, Madeira e Açores, poderem participar nos
avisos nacionais até a um limite de 1% do PRR”, avançou.De
acordo com o responsável, os apoios que as empresas das regiões
autónomas tiveram no âmbito de "todos os apoios" nacionais do PRR
“contabilizam para o limite” de 1%.“As
empresas que participarem nas Agendas Mobilizadoras que pertençam à
Região Autónoma dos Açores, e não tem de ser líderes [do consórcio] nem
estar aqui localizadas, contabilizarão para esse montante [de 1%]”,
exemplificou.A Estrutura de Missão
Recuperar Portugal foi criada pela resolução do Conselho de Ministros de
04 de maio de 2021 e tem como objetivos negociar, contratualizar e
monitorizar a execução do PRR.A comissão
de inquérito às agendas mobilizadoras foi aprovada por unanimidade no
parlamento açoriano em outubro de 2021, depois de vários partidos terem
questionado a gestão feita pelo Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) às
verbas previstas no PRR para o arquipélago ao abrigo daquele programa.Em
causa estava uma verba inicial de 117 milhões de euros, financiada pelo
PRR, destinada a projetos de inovação, turismo e agroindústria, a que
poderiam candidatar-se as empresas açorianas que apresentassem projetos
em consórcio com outros grupos económicos.Na
sequência de críticas ao processo, os consórcios criados nos Açores
deixaram cair as propostas, em outubro, a pedido do presidente do
Governo Regional, que disse ter a "garantia" do Governo da República de
que a verba destinada à região não estava em causa.