Estrutura de Missão estima entre 35 e 40 mil as empresas afetadas
Mau tempo
Hoje 16:38
— Lusa/AO Online
“Acreditamos
que podemos estar aqui a falar de um universo entre as 35 mil, 40 mil
empresas afetadas” do universo de empresas da zona mais afetada, que
anda na casa das 54 mil, 55 mil, declarou Paulo Fernandes.Para
o coordenador da Estrutura de Missão, criada na sequência da depressão
Kristin, que, em 28 de janeiro, deixou um rasto de destruição, “é, de
facto um número enorme”.Daquele número,
“há pelo menos já cerca de 30 mil” que acionaram medidas (seguros 25 mil
e linhas de crédito quatro mil), referiu Paulo Fernandes, para
salientar não se tratar apenas de empresas da área industrial ou dos
serviços, mas também agrícolas, sendo que no setor primário os dados
apontam para cinco mil.O coordenador
esclareceu que 1.100 milhões de euros (ME) é, por agora, o valor que
está candidatado por empresas, mais de mil milhões à linha de crédito à
tesouraria (na ordem das quatro mil empresas) e cerca de 80 milhões à
linha de crédito ao investimento.Questionado
para a eventualidade de haver empresas que não consigam sobreviver ao
impacto do mau tempo, dado que as linhas de crédito representam
endividamento, o coordenador referiu o IFIC — Instrumento Financeiro
para a Inovação e Competitividade, criado com verbas do Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR) não executadas, anunciado pelo ministro
da Economia.“O IFIC, que sai da
reprogramação do PRR, neste momento já com uma linha de 150 ME que tem a
vertente de fundo perdido, que pode alavancar cerca de 400 ME, com
taxas de referência de 30% de fundo perdido a 50% de fundo perdido, vai
sair na próxima semana”, explicou.Para
Paulo Fernandes, esta é uma “medida muito relevante” combinada com as
linhas de crédito, sendo que numa delas há “a transformação de 10% em
subvenção não reembolsável”.“Com esta medida [IFIC], obviamente começamos a ter, de facto, respostas bastante mais completas”, argumentou.Sobre
um eventual aumento do desemprego, o coordenador respondeu que há “mais
de 300 pedidos de lay-off” (suspensão dos contratos de trabalho)
relativos a pouco mais de três mil trabalhadores, para lembrar ainda a
existência do incentivo à manutenção de postos de trabalho e da isenção
de contribuições à Segurança Social (10 mil pedidos).O
coordenador da Estrutura de Missão admitiu que a procura por este
conjunto de medidas “possa impedir uma depressão económica sistémica na
região”.“Neste preciso momento, é muito
cedo para podermos já definir que estamos fora do que possa ser danos
sistémicos para a região (…). É preciso perceber como é que as grandes
empresas onde muitas vezes as [empresas] satélites gravitam, se elas de
facto se aguentam, porque são muito relevantes aqui na nossa região, e
depois também é preciso ir para a capilaridade do pequeno comércio, dos
pequenos serviços, para ver como é que eles conseguem aguentar este
embate de alguma redução de faturação que, obviamente, estão a ter”,
adiantou.À pergunta se antecipa aumento da
litigância com seguradoras, o coordenador disse que a Estrutura de
Missão está mais preocupada que “os seguros façam o seu trabalho o mais
depressa possível perante uma dimensão inédita” no país de terem sido
acionadas 140 mil apólices.“Essa é a
questão que nos preocupa, porque cerca de 10% dessas 140 mil apólices
foram as que tiveram até agora seguimento, estão já, de certa forma,
fechadas, algumas até já pagas àquilo que eram os beneficiários”,
esclareceu.Mantendo uma estimativa de
prejuízos entre os cinco mil e os seis mil ME, Paulo Fernandes ressalvou
que “vai ser muito relevante a próxima semana”, a partir de
terça-feira, quando irá ser possível “ter acesso à esmagadora maioria
dos relatórios de prejuízos dos municípios”.