Estrutura de Missão diz que licença do porto espacial nos Açores dá sinal ao mercado
2 de set. de 2025, 16:20
— Lusa/AO Online
“O
caminho vai-se fazendo, mas é um sinal muito positivo. Além de vermos
com otimismo os potenciais clientes interessados em lançar nos Açores,
também vemos com otimismo esse passo que é dado. Abrem-se mais portas
para a sustentabilidade da operação comercial”, afirmou à agência Lusa o
coordenador da Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço
(EMA-Espaço), Paulo Quental.O porto
espacial da ilha de Santa Maria obteve, a 13 de agosto, o licenciamento
para operar, estimando-se a realização do primeiro lançamento na
primavera de 2026 por parte do operador, o Consórcio do Porto Espacial
Atlântico.Para o coordenador da
EMA-Espaço, que falava à margem do Fórum LPAZ que decorre na ilha de
Santa Maria, trata-se de “mais um passo” para a formação de um
ecossistema espacial na região.“É mais um
passo nesta caminhada que se pretende para os Açores, em especial para
Santa Maria, para um ‘hub’ atlântico para o espaço. Agora falta o
licenciamento dos veículos de lançadores e a instalação de algumas
infraestruturas que são necessárias”, declarou.Segundo
disse, a EMA-Espaço espera que no primeiro trimestre do próximo ano já
existam “contratos assinados para o lançamento de suborbitais de teste”,
ressalvando, contudo, que tal depende dos operadores e está
“condicionado aos desenvolvimentos técnicos”.“O
cronograma e a expectativa é que já existam contratos assinados para
lançamentos suborbitais de teste no primeiro trimestre de 2026, mas esta
cadência depende dos próprios operadores”, reforçou, salientando que
deverão anunciar brevemente o cronograma das operações.Paulo
Quental defendeu que a ilha de Santa Maria tem “particularidades para
ser atrativa e competitiva” no mercado do setor aeroespacial, mas
destacou a necessidade de atrair “empresas e conhecimento”.“Para
conseguirmos ter um setor económico que se desenvolva é necessário
atrair as empresas, o conhecimento e o ‘know-how’ e também promover o
desenvolvimento das capacidades cá [nos Açores] numa perspetiva de médio
e longo prazo como fazemos com os projetos educativos”, sinalizou.A
primeira licença concedida por Portugal para operacionalização de um
porto espacial foi atribuída pelo regulador, a Anacom - Autoridade
Nacional das Comunicações, por cinco anos ao Consórcio do Porto Espacial
Atlântico, que fez o pedido em dezembro.Em
declarações à Lusa após o licenciamento, o diretor do consórcio
português, Bruno Carvalho, disse que são esperados os primeiros
lançamentos na primavera de 2026, de voos suborbitais para testar
tecnologia, operações e veículos.Os suborbitais são voos espaciais que atingem o espaço, mas que cruzam a atmosfera sem perfazer a órbita completa do planeta.O
Fórum LPAZ, organizado pela associação LPAZ, que se dedica a valorizar o
património aeroportuário da ilha de Santa Maria, junta mais de 30
especialistas de áreas como a História, Ciência Política, Espaço ou
Literatura para discutir o Atlântico e a posição geoestratégica dos
Açores.