Estrutura de missão da AIMA validou quase 400 mil novos imigrantes em Portugal até 2024
Hoje 17:19
— Lusa/AO Online
Numa
audição conjunta das comissões parlamentares de Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e da Reforma do Estado
e Poder Local sobre discrepâncias de números da AIMA e do Instituto
Nacional de Estatística (INE), António Leitão Amaro pormenorizou o
número de pendências que este e o anterior executivo geriram, no quadro
de uma nova política migratória mais restritiva, apresentada a 03 de
junho de 2024.Aos 385 mil estrangeiros que
entraram pela primeira vez no sistema somam-se os 218 mil novos
imigrantes processados pela AIMA, que tratou do serviço regular e de
todos os processos judiciais.Foram
realizadas 933 mil notificações de processos pendentes que passaram para
a estrutura de missão, respeitantes a 568 mil “atendimentos de pessoas
únicas”, explicou o governante, em resposta a dúvidas do PS. Foram
tomadas 525 mil decisões, com um total de 51.622 indeferimentos e já
foram distribuídos aos utentes 458 mil cartões de residência. Nos
casos em que dizem respeito a novos residentes estrangeiros, que já
estavam em Portugal no início de junho de 2024, o total contabilizado
pela Lusa de processos deferidos pela estrutura de missão –
manifestações de interesse (229 mil), títulos da Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa (140 mil) e o regime transitório de regularização
(16 mil) – é de 385 mil pessoas, das quais 370 mil já receberam o
cartão.“Imaginem o sorriso na cara dessas
pessoas quando viram esse cartão”, afirmou o governante, destacando o
“trabalho hercúleo” dos serviços administrativos, quando “estavam
pendentes milhares de processos no armário” da administração pública. “Historicamente,
a AIMA atendia 200 mil pessoas” por ano e só em 2025, a agência e a
estrutura de missão realizaram 771 mil atendimentos, explicou Leitão
Amaro. Uma das alterações mais
emblemáticas foi o fim da manifestação de interesse, uma figura jurídica
que permitia a regularização em Portugal de estrangeiros com visto de
turismo desde que tivessem tempo de descontos para as finanças e
segurança social. No total, segundo o
ministro, “445 mil pessoas foram notificadas por manifestação de
interesse” e, destas, “264 mil foram atendidas”, tendo havido uma
decisão sobre 256 mil processos, com 229 mil deferimentos e 26 mil
indeferimentos. Já foram atribuídos 225 mil cartões de residentes referentes a processos de manifestações de interesse.Outro
processo pendente eram as autorizações da Comunidade dos Países de
Língua Portuguesa (CPLP), um documento associado ao acordo de mobilidade
que só permitia a permanência em Portugal e não possibilitava o acesso
ao espaço Schengen. Foram feitas 215 mil
notificações e realizados 161 mil atendimentos, já houve 153 mil
decisões, com 140 mil deferimentos e 13 mil indeferimentos. No total, já
foram distribuídos 130 mil cartões de residente. Quando
foi anunciada a alteração dos procedimentos, o parlamento levou o
governo a aceitar um regime transitório para quem já estava em Portugal e
não tinha iniciado o processo de regularização. Nestes
casos, foram emitidas 78 mil notificações, tendo sido atendidas 37 mil
pessoas, com 23 mil decisões, das quais 16 mil foram deferidas e 6.500
indeferidas. Foram atribuídos 15.300 cartões de residente com base no
regime transitório. A estrutura de missão
tratou também da renovação das autorizações de residência, estrangeiros
que estavam legais, mas aguardavam por documentos atualizados. Segundo
Leitão Amaro, foram feitas 193 mil notificações, que resultaram em 104
mil atendimentos, com 92 mil decisões. Destas, 87 mil foram deferidas
pelos serviços e houve 4.800 indeferimentos. Hoje,
quase dois anos depois das alterações da política migratória, estão
resolvidos 98 % das manifestações de interesse, 95% dos processos CPLP e
87% das renovações de títulos caducados, disse Leitão Amaro.“Nunca
tivemos nenhum processo administrativo que recuperasse pendências com
esta eficácia” e hoje “sabemos quem são, o que fazem e onde estão todas
estas pessoas”, explicou o ministro, que rejeitou também qualquer
associação da imigração à criminalidade ou ao abuso dos serviços
públicos. Perante uma pergunta do Chega,
Leitão Amaro salientou que dos 1,55 milhões de estrangeiros que estão em
Portugal, 1,03 milhões descontam para a segurança social, rejeitando os
“mitos da desinformação” sobre os imigrantes. “Há
menos imigrantes que a percentagem da população portuguesa com RSI
(Rendimento Social de Inserção)”, “há menos crianças estrangeiras a
receber abono de família” em comparação com os portugueses e “a
proporção dos apoios sociais por imigrante é proporcionalmente inferior à
população portuguesa”, assegurou o ministro. No debate, o Chega insistiu na falta de regulação dos atestados de residência aprovados pelas freguesias. “Ninguém
sabe quantos atestados de residência são passados. Continuamos a ter
uma porta de entrada através das juntas de freguesia que não controlam
os atestados”, uma “bandalheira que o PS deixou e que vocês não querem
resolver”, acusou o deputado Bruno Nunes. Em
resposta, Leitão Amaro salientou que os “atestados de residência não
são porta de entrada para nada” e criticou a “perceção de descontrolo”
que é alimentada pelo Chega.Já Pedro
Delgado Alves (PS) considerou que a “boa-fé de apresentação dos dados
não é a melhor”, lamentando o que classificou de “apagões pontuais que
afetam o escrutínio que o parlamento deve fazer às políticas públicas”.