Estrada onde houve derrocada na ilha Terceira em janeiro vai continuar encerrada
22 de nov. de 2024, 09:47
— Lusa/AO Online
“Fizemos uma intervenção
de limpeza dos taludes, que já está concluída, na parte em que estava
previsto, mas há ainda uma outra zona mais complicada. Não podemos pôr
ninguém em risco, nem o próprio empreiteiro. Temos de ponderar melhor o
que vai ser feito ali”, afirmou, em declarações aos jornalistas, a
secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral.Desde
14 de janeiro que a estrada principal entre as freguesias da Serreta e
Raminho, no concelho de Angra do Heroísmo, está encerrada, devido a uma
derrocada provocada por um sismo de 4,5 na escala de Richter, inserido
na crise sismovulcânica em curso na ilha Terceira desde junho de 2022.O
Governo Regional lançou, a 26 de julho, o concurso para a conceção e
construção da reabilitação do talude, que apresenta “sinais de
instabilidade”, por um valor base de quatro milhões de euros.Entretanto,
o executivo adjudicou uma empreitada de desmatação e desmonte de rochas
em talude, por cerca de 363 mil euros, que se iniciou no dia 04 de
setembro, por um período de 45 dias.A obra já devia estar concluída, mas o troço continua fechado à circulação de automóveis.Questionada
à margem do lançamento de uma obra numa estrada em Angra do Heroísmo,
na ilha Terceira, Berta Cabral, disse que uma das zonas da encosta no
Raminho não oferece condições de segurança para que seja feita a limpeza
dos taludes.“Continua a crise sísmica,
continua a haver derrocadas na outra zona. A que foi intervencionada
está bem, mas a outra zona é de difícil intervenção. Temos de ter muito
cuidado”, justificou.A governante revelou
que será necessário “um projeto mais robusto do que uma simples
desmatagem, provavelmente com socalcos e com drenagem de águas”.“Vamos
desenvolver o projeto dentro da direção regional das Obras Públicas
para continuar aquela obra. Não há condições para a continuar como ela
estava a ser feita, porque este troço é mais difícil e perigoso para o
próprio empreiteiro”, reiterou.Quando
lançou a obra de limpeza dos taludes, oito meses depois da derrocada, o
executivo açoriano justificou a intervenção com o agravamento da crise
sísmica na ilha, que tem o vulcão da Serra de Santa Bárbara em nível V3,
numa escala de 0 a 6, desde 27 de junho.“Sem
prejuízo de uma intervenção mais estrutural na estrada em causa,
tornou-se necessário avançar desde já com uma contratação de emergência
devido ao aumento significativo da atividade sísmica no perímetro do
vulcão de Santa Bárbara, acompanhado de sinais de deformação radial, o
que aconselha à abertura da via, para efeitos de criação de alternativas
de acesso”, justificou, na altura, o Governo Regional.Questionada
sobre a urgência na abertura do troço, Berta Cabral disse que, em
breve, será asfaltado um caminho florestal alternativo.“Agora
podem fazer pela estrada florestal que vai ser asfaltada, porque, de
facto, a outra continua a não ter condições de segurança”, apontou.Segundo
a governante, a obra, cujo concurso público foi aberto em setembro,
“foi adjudicada esta semana” e tem um prazo de execução de 90 dias.“As
pessoas devem ficar tranquilas, porque vamos asfaltar o caminho
florestal alternativo. É uma obra de cerca de 400 mil euros. É um bom
acesso, com boas condições”, assegurou.Quanto
à conceção e construção da reabilitação do talude, cujo concurso
público foi lançado em julho, com um preço base de quatro milhões de
euros, continua sem data para avançar.“O
concurso ficou deserto. Houve uma proposta acima do preço base e,
portanto, não houve possibilidade de se adjudicar”, revelou Berta
Cabral.Questionado pelos jornalistas, o
vice-presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Guido Teles,
defendeu que a estrada alternativa deve ser apenas "uma solução
temporária", alegando que a via "não tem a qualidade e a segurança
necessária para funcionar como estrada principal".Guido
Teles defendeu que o investimento na abertura da estrada encerrada
desde janeiro deve ser "prioritário" e alertou que se trata "um problema
de Proteção Civil, porque caso seja necessário utilizar aquela via num
caso de evacuação, neste momento não é possível".