Estirpe detetada no Brasil mais transmissível e ilude sistema imunitário
Covid-19
2 de mar. de 2021, 12:19
— Lusa/AO Online
“Provavelmente faz as três
coisas ao mesmo tempo: é mais transmissível, invade mais o sistema
imunitário e, provavelmente, deve ser mais patogénica”, disse à
agência espanhola EFE Ester Sabino, professora da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do grupo da USP que
participou da investigação realizada pelo Centro Brasil-Reino Unido para
a Descoberta e Diagnóstico de Abrovírus (CADDE).O
estudo preliminar, realizado por investigadores brasileiros e ingleses e
divulgado na última sexta-feira, sugere que a nova variante detetada no
estado do Amazonas seja entre 1,4 e 2,2 vezes mais transmissível do que
as que a precedem e "provavelmente" isso é um dos fatores responsáveis
pela segunda vaga da pandemia do novo coronavírus no Brasil.Os
cientistas também concluíram que a nova estirpe é capaz de evadir o
sistema imunológico e causar uma nova infeção em parte dos indivíduos já
infetados pelo SARS-CoV-2, concretamente entre 25 e 61%.“Não
se podem explicar tantos casos a não ser pela perda de imunidade”,
disse Ester Sabino, que coordenou o estudo juntamente com o investigador
Nuno Faria, da Universidade de Oxford.O
estudo preliminar, baseado num modelo matemático realizado pelo Imperial
College London, baseia-se na análise de genomas de 184 amostras de
secreção nasofaríngea de pacientes diagnosticados com covid-19 em
laboratórios de Manaus entre novembro de 2020 e janeiro de 2021.A
capital do Estado do Amazonas, Manaus, foi um dos focos da pandemia no
Brasil, quer na primeira, quer na segunda vaga da pandemia, e vive um
colapso da saúde desde o final do ano passado devido à explosão de casos
e de internações por covid-19.A
investigação, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
de São Paulo (Fapesp), ainda não foi revista por outros cientistas ou
publicada em revistas científicas, mas está disponível 'online'.Da
mesma forma, um outro estudo também divulgado na última sexta-feira por
investigadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) da região amazónica
indica que a carga viral no corpo de indivíduos infetados com a P.1 pode
ser até dez vezes maior.O Brasil, um dos
países mais atingidos pela pandemia no mundo, acumula 10.587.001
infeções desde o registo do primeiro caso da doença, a 26 de fevereiro
do ano passado, e 255.720 mortes.