“Este projeto só podia ter como objetivo a conquista do título”
Hoje 09:12
— Sofia Ganhão
O piloto Luís Miguel Rego, navegado por José Janela, correu para a
vitória no XLV Explore Santa Maria Rallye e sagrou-se pentacampeão dos Açores de ralis. Depois de revalidar o título
regional, o piloto micaelense assumiu que o principal objetivo traçado
para a temporada está cumprido, destacando o trabalho desenvolvido ao
longo do ano ao volante do Skoda Fabia RS Rally2.“Esse era o
objetivo. Todo o esforço em montar este projeto para este ano, com um
carro de última geração, só podia ter como objetivo a conquista do
título. Preparámos a prova e o campeonato da melhor forma possível,
sempre com o mesmo profissionalismo e o mesmo afinco que nos são
reconhecidos por toda a nossa equipa e pelos nossos patrocinadores”,
afirmou, em entrevista ao Açoriano Oriental.A conquista em Santa
Maria teve, contudo, um significado especial para Luís Miguel Rego, que
considera a “ilha do sol” um lugar particularmente importante para si e
onde se sente em casa.“Fizemos uma prova inteligente e sem pressão,
porque não havia necessidade de ser o tudo ou nada. Ainda faltam três
provas para o final do campeonato, mas havia a possibilidade de sermos
já campeões em Santa Maria. Como é um local muito especial para mim, um
rali de que gosto muito e que é quase como a minha segunda casa, era
muito especial poder ser campeão aqui”, explicou.A temporada tem
sido, até ao momento, perfeita para a dupla Luís Miguel Rego/José
Janela. O piloto micaelense venceu as seis provas já realizadas do
Campeonato dos Açores de Ralis (CAR) em 2026, somando ainda o triunfo em
todos os troços e Power Stages disputados.“O campeonato, até agora,
foi um pleno. Ganhámos todos os ralis, todos os troços e as Power
Stages, o que também é um sinal do nosso comprometimento e da nossa
rapidez. É também um facto que, em alguns ralis, tivemos não só
superioridade pela experiência, mas também a nível de máquina”,
reconheceu.Apesar do domínio evidenciado ao longo da época, Luís
Miguel Rego considera que a atual realidade do Campeonato dos Açores de
Ralis resulta de um ciclo que o automobilismo regional já viveu no
passado, defendendo a necessidade de recuperar a competitividade das
temporadas anteriores.“São ciclos. Já no passado aconteceu e não é o
que queremos para o desporto automóvel. Queremos sempre mais
competição, mas os ralis, infelizmente, às vezes têm ciclos. Tivemos
várias eras, a era de Gustavo Louro, de Horácio Franco e de Ricardo
Moura, em que durante muitos anos correram também sozinhos e com
máquinas superiores à concorrência, sendo campeões por diversas vezes”,
recordou. “Tenho sempre a esperança de que o nosso campeonato volte a ter a competitividade que tinha há uns anos”, acrescentou.Nesse
sentido, o pentacampeão açoriano considera que a presença de viaturas
de última geração no campeonato regional é também fundamental para
manter o interesse do público e promover a modalidade.“É o que traz
as pessoas à estrada, os amantes da modalidade e mesmo aqueles que não a
acompanham de forma tão rigorosa querem sempre ver passar os carros
mais espetaculares. Esse também é um esforço do nosso projeto: ter
sempre um carro desses presente nos Açores. É uma forma de promover os
nossos patrocinadores de uma maneira diferente e dar-lhes mais
destaque”, salientou.Já com o título assegurado, Luís Miguel Rego
prepara-se para disputar a 59.ª Volta à Ilha de São Miguel – By
Azores Rallye sem a pressão de lutar pelos pontos do campeonato.“Um
dos pontos importantes de podermos selar o campeonato em Santa Maria era
exatamente esse, de podermos fazer um Azores Rallye descomprometido de
qualquer resultado pontual para o campeonato”, explicou. O piloto
micaelense pretende, assim, encarar a prova em casa de forma mais
descontraída, mas sem esconder a ambição de lutar pela vitória.“É o
rali mais importante do campeonato, com mais projeção para todos os
nossos patrocinadores. Estamos a correr em casa, frente à nossa família
e, logicamente, queremos estar fortes e estar na luta pela vitória”,
completou.No âmbito do apoio do Governo Regional à participação em
provas nacionais, Luís Miguel Rego terá ainda de disputar duas
provas do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) na presente temporada.
No entanto, a concretização desse calendário implica uma complexa gestão
logística, uma vez que a equipa dispõe apenas de uma viatura.“Nós
apenas temos uma viatura. Independentemente de o Governo dar o apoio,
que é de 65 mil euros, no meu entender só se justifica fazer essas duas
provas num carro de categoria igual ao nosso, de forma a poder dar o
máximo de retorno possível aos Açores. O aluguer de um carro desses para
duas provas ultrapassa o orçamento que temos”, explicou.“Isso faz
com que tenhamos de correr com a nossa viatura própria e obriga-nos a
fazer uma gestão logística muito grande. A partir de agora, com o
campeonato também selado, é mais fácil conseguirmos gerir estas
participações no exterior”, acrescentou.A curta margem entre o Rali
da Água Transibérico Eurocidade Chaves-Verín e a Volta à Ilha de São
Miguel deverá, contudo, afastar a possibilidade de Luís Miguel Rego
marcar presença na prova que liga os dois países da Península Ibérica,
estando a sua primeira participação em solo continental prevista para
acontecer no Rallye Casinos do Algarve, agendado para os dias 2 e 3 de
outubro.