"Este não é ainda o momento para falar do salário mínimo nacional"
3 de set. de 2020, 10:56
— Lusa/AO Online
Apesar de o tema do aumento do Salário Mínimo
Nacional (SMN) não constar da agenda da reunião da Concertação Social de
hoje, os líderes da UGT e da CGTP colocaram-no em cima da mesa,
sublinhando a necessidade de a remuneração mínima ser reforçada em 2021.
A UGT, segundo adiantou Carlos Silva, vai propor ao seu Secretariado
Nacional, uma proposta de aumento de pelo menos 35 euros e a CGTP
reitera a proposta de que chegue aos 850 euros num curto espaço de
tempo.No final da reunião e questionada
sobre o aumento do SMN em 2021, a ministra Ana Mendes Godinho não se
alongou sobre o tema referindo que este não é o momento para avaliar e
discutir valores, remetendo esta discussão para os “próximos tempos”.“Não
é este o momento para avaliarmos e discutirmos valores. Será no espaço
da Concertação Social que essa matéria será debatida” referiu,
precisando que a discussão dependerá “também da evolução da situação
económica e social”, assumindo a “importância crucial que a Concertação
Social e o diálogo social tem neste momento no país”.Numa
segunda resposta sobre o SMN, Ana Mendes Godinho repetiu não ser esta a
fase para tratar desta matéria, que será discutida em sede de
Concertação Social “nos próximos tempos". Sem
propor valores relativamente ao SMN, a UGT aproveitou a reunião de hoje
para sinalizar “que há matérias que não podem passar ao lado” neste
retomar dos trabalhos da Concertação Social após as férias.Salientando
ser “fundamental que o salário mínimo nacional avance”, Carlos Silva
adiantou que não houve discussão de valores e que a proposta que
pretende levar ao Secretariado Nacional da UGT, que se vai realizar em
Aveiro em 23 de setembro, aponta para um aumento em 2021 igual ao de
2020 (35 euros) o que fará o SMN avançar para 670 euros.Sem
nomear o parceiro em causa, o secretário-geral da UGT disse ainda que
após a sua intervenção, “houve uma resposta por parte de um dos
parceiros empregadores” de que o momento é difícil e não se deveria
falar de aumentos salariais. “[Esse
parceiro] está equivocado. Não digo quem é, mas não deixaremos de
discutir o salário mínimo e a valorização dos salários”, afirmou Carlos
Silva.Afirmando que para a CGTP “é
fundamental” que haja investimento na economia o que implica aumento
geral dos salários e do salário mínimo e investimento nos serviços
públicos, Isabel Camarinha reiterou a proposta que aponta para um
aumento mínimo de 90 euros para a generalidade dos trabalhadores e para
que o SMN avance para os 850 euros no curto prazo.Questionada sobre o valor apontados pela UGT, a líder da CGTP considerou que “é manifestamente pouco”.“Tem
de ser um aumento substancial”, precisou referindo, que apesar de a
CGTP não ter estabelecido um prazo para atingir os 850 euros, sendo esta
uma das vertentes que aceita negociar, o aumento terá de ser
“substancial”.Sem se referir
especificamente à questão do SMN para 2021, o presidente da Confederação
Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, afirmou que este é o
momento para que todos se foquem em salvar postos de trabalho, o que
passa pela qualificação e formação, e não em aumentos de rendimentos.“Devemos
concentrar-nos em salvar postos de trabalho. Mais do que pedirmos
aumentos de rendimentos que, por mais justos que possam ser, este não é o
momento para nos desfocarmos”., sublinhou.