Estados Unidos preparam reforço de programas para contrariar influência da China
Hoje 11:34
— Lusa/AO Online
A
Administração notificou o Congresso, no final da semana passada, da
intenção de destinar 175,8 milhões de dólares (cerca de 154,5 milhões de
euros) à substituição de cabos submarinos de telecomunicações obsoletos
e envelhecidos nas Caraíbas e na América Central, visando impedir que a
China reforce a sua presença na região, segundo a agência Associated
Press (AP). A Casa Branca tem manifestado
profunda preocupação com as atividades da China nas Américas,
contestando a propriedade chinesa de portos nas duas extremidades do
Canal do Panamá, os projetos de infraestruturas financiados pela
iniciativa chinesa Faixa e Rota na região e o investimento chinês no
setor das telecomunicações.O financiamento
para os cabos submarinos parece, por outro lado, integrar um esforço
mais amplo para restaurar o apoio a iniciativas destinadas a travar a
influência chinesa a nível mundial, num montante que poderá ascender a
várias centenas de milhões de dólares adicionais. A
iniciativa surge numa altura em que o Presidente norte-americano,
Donald Trump, e o Presidente chinês, Xi Jinping, procuram projetar uma
imagem de cooperação e em que Xi prepara uma visita aos Estados Unidos
no outono.O Departamento de Estado está
também a ponderar gastar quase mais 500 milhões de dólares (439 milhões
de euros) em programas dirigidos à China no hemisfério ocidental, em
África e na Ásia, segundo um documento interno citado pela AP."Os
Estados Unidos têm de responder ao crescente poder de influência
económica, tecnológica e diplomática do Partido Comunista Chinês em todo
o mundo, que compromete os nossos interesses nacionais", lê-se no
documento.Muitos dos programas propostos
destinam-se a "recuperar influência diplomática" através de
investimentos em áreas onde os Estados Unidos tinham anteriormente
projetos em curso, mas foram interrompidos quando o Departamento de
Eficiência Governamental (DOGE), liderado por Elon Musk, promoveu
profundos cortes orçamentais, no ano passado.Esses
cortes, que levaram ao desmantelamento da Agência dos Estados Unidos
para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e à eliminação de várias
centenas de postos diplomáticos em todo o mundo, afetaram igualmente
projetos já aprovados, incluindo alguns concebidos para contrariar a
influência chinesa.O programa apresentado
ao Congresso denomina-se "Projeto para Contrariar o Controlo do PCC
sobre os Cabos Submarinos das Caraíbas e da América Central".O
financiamento destina-se a substituir cabos submarinos de
telecomunicações obsoletos nas Caraíbas e na América Central por
alternativas consideradas seguras, norte-americanas e de parceiros de
confiança.Em paralelo, a Administração
elaborou planos para gastar mais de 340 milhões de dólares (299 milhões
de euros) em mais de 50 projetos específicos destinados a contrariar a
influência chinesa em várias regiões do mundo, incluindo vários países
do hemisfério ocidental, segundo o mesmo documento interno.Entre
as iniciativas que poderão ser retomadas estão a criação de centros de
operações de segurança na Argentina e em Belize para monitorizar
alegadas ameaças chinesas contra infraestruturas críticas e plataformas
cibernéticas em toda a região.O plano
prevê igualmente relançar iniciativas destinadas a proteger o Equador,
Jamaica, México, Paraguai, Peru e Uruguai contra alegadas tentativas
chinesas de infiltração em operações portuárias e de exploração ilegal
da pesca em alto-mar e da extração de minerais críticos.A proposta prevê
ainda contrariar a influência chinesa na escolha do sucessor do Dalai
Lama ou reduzir o apoio internacional ao programa espacial chinês e
travar a exportação, por empresas chinesas, de tecnologias de vigilância
e censura.Trump deverá reunir-se com Xi
Jinping em setembro, à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em
Nova Iorque. Como preparação para esse encontro, o secretário de Estado
norte-americano, Marco Rubio, reuniu-se na semana passada com o ministro
dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, à margem de uma conferência
regional de segurança nas Filipinas.