Estado português nega junto da Europa violação de direitos de Sócrates
Operação Marquês
Hoje 17:19
— Lusa/AO Online
"O Estado português
considera não ter ocorrido qualquer violação da Convenção Europeia dos
Direitos Humanos. Foi nesse sentido que apresentou resposta a todas as
questões apresentadas pelo TEDH, tendo submetido, dentro do prazo fixado
(23 de julho de 2026), as respetivas Observações, acompanhadas dos
meios de prova considerados pertinentes", informou, em resposta à Lusa,
fonte oficial do Ministério da Justiça.O
chefe de Governo entre 2005 e 2011 apresentou, em 1 de julho de 2025,
uma queixa no TEDH contra o Estado português pela alegada violação dos
seus direitos no processo Operação Marquês, no qual é arguido desde
novembro de 2014 e cujo julgamento decorre desde 03 de julho de 2025 em
Lisboa.Segundo a mesma fonte, em 02 de
abril de 2026, o Estado português foi questionado pelo TEDH sobre três
temas: a "duração do processo penal", a "violação da vida privada por
fugas de informação", e a "existência de um recurso interno efetivo",
designadamente em sede dos tribunais administrativos nacionais.Dias
mais tarde, José Sócrates considerou, numa conferência de imprensa em
Bruxelas (Bélgica), que o facto de o TEDH ter pedido estes
esclarecimentos constituiu uma "vitória judicial" e foi uma "decisão a
todos os títulos extraordinária", afirmando que "mais de 90%" das
queixas apresentadas junto deste tribunal europeu costumam ser
rejeitadas.Já em junho de 2026, o Tribunal
Administrativo de Círculo de Lisboa condenou o Estado português a
indemnizar o antigo primeiro-ministro em 15 mil euros por má
administração da justiça no processo Operação Marquês, de modo a
compensar José Sócrates pelos danos sofridos em virtude da "divulgação
de informações sujeitas a segredo de justiça" por órgãos do Estado
durante o inquérito, concluído em outubro de 2017.A
sentença, resultante de uma queixa apresentada em fevereiro de 2017
pelo ex-governante socialista, vai ser objeto de recurso por parte do
Ministério Público, anunciou então a Procuradoria-Geral da República, e,
por isso, não é definitiva.No julgamento
que decorre desde 03 de julho de 2025 no Tribunal Central Criminal de
Lisboa e sem data para terminar, José Sócrates e outros 20 arguidos
respondem por corrupção e outros crimes económico-financeiros
alegadamente cometidos entre 2005 e 2014, negando todos, em geral, ter
praticado qualquer ilegalidade.