Estado francês promete alojamento alternativo a deslocados dos campos de Calais
Migrações
2 de nov. de 2021, 13:31
— Lusa/AO Online
A proposta surge no 23.º dia da
greve de fome de três ativistas que denunciam uma situação "intolerável"
para os migrantes, num cenário de evacuações, por vezes brutais, de
campos, que ocorrem quase diariamente nesta cidade francesa do norte,
usada como ponto para tentativas de passagem para o Reino Unido.O
padre Philippe Demeestère, de 72 anos, e dois ativistas, Anaïs Vogel e
Ludovic Holbein, pedem o fim do desmantelamento de acampamentos durante o
inverno."Vamos disponibilizar
sistematicamente alojamento, que será principalmente em Pas-de-Calais,
no Hauts-de-France (norte), mas não em Calais", disse o chefe do
Gabinete francês para a Imigração e Integração (Ofii) Didier Leschi,
mediador do processo, citado pela agência de notícias France-Presse
(AFP).O compromisso do Estado também
responde ao medo de ver a "selva" de Calais reconstituída, cinco anos
após o desmantelamento, em outubro de 2016, deste gigantesco acampamento
que reuniu, em condições humanitárias caóticas, até 10.000 candidatos à
passagem para o Reino Unido."Este medo
está ligado à escalada dos fluxos: desde o início do ano, chegaram quase
40 mil pessoas" à costa norte, explicou Didier Leschi."O
Estado não pode conscientemente permitir que seja organizada uma base
de partida clandestina, e ver as pessoas arriscarem as suas vidas
atravessando o Canal da Mancha [entre França e o território britânico]”,
acrescentou.Para responder a este
compromisso, o Estado terá de "aumentar o seu parque habitacional" em
"várias centenas de locais", sublinhou o chefe do Gabinete francês para a
Imigração e Integração.Este responsável
reconheceu, de facto, que as evacuações de campos em Calais nem sempre
foram acompanhadas de propostas de abrigo, mas que esta é, no entanto, a
regra.Concretamente, será agora dado aos
migrantes um período de "cerca de 45 minutos" para recolherem os seus
pertences, e "não haverá mais evacuações surpresa", prometeu o mediador.Estas
propostas não respondem à principal exigência dos ativistas, que exigem
uma "moratória" sobre as evacuações dos acampamentos de migrantes.