Estado de emergência é “sinal político”, mas não “solução milagrosa”
Covid-19
18 de mar. de 2020, 20:43
— Lusa/AO Online
Numa comunicação ao país a partir do Palácio
de Belém, em Lisboa, no dia em que decretou o estado de emergência,
Marcelo Rebelo de Sousa justificou a decisão, que admitiu "dividir os
portugueses", como um "sinal político forte de unidade do poder
político" e que previne "situações antes de poderem ocorrer"."Não
é, porém, uma vacina nem uma solução milagrosa que dispense o nosso
combate diário" que passa pelo "apoio reforçado" ao Serviço Nacional de
Saúde (SNS) ou pela responsabilidade de todos continuarem a "tentar
limitar o contágio" da doença que já fez dois mortos em Portugal.Para
o Chefe do Estado, este é "também um sinal democrático", "pela
convergência dos vários poderes do Estado" e "porque é a democracia a
usar os meios excecionais que ela própria prevê para tempos de gravidade
excecional"."Não é uma interrupção da
democracia. É a democracia a tentar impedir uma interrupção irreparável
na vida das pessoas", afirmou, numa resposta aos alertas quanto a
possíveis riscos da declaração do estado de emergência."Não
é, porém, uma vacina, nem uma solução milagrosa, que dispense o nosso
combate diário, o apoio reforçado ao Serviço Nacional de Saúde, a
capacidade de pessoas e as famílias continuarem a tentar limitar o
contágio, para que os números a crescer cresçam menos do que os piores
cenários e para que o tratamento possa ser, cada vez mais, em casa. Tudo
mais cedo do que mais tarde", concluiu.Esta é a primeira vez que o estado de emergência é decretado em democracia em Portugal.O
coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 200
mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.200 morreram.O
surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 146
países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a
declarar uma situação de pandemia.Em
Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou quarta-feira o número de
casos confirmados de infeção para 642, mais 194 do que na terça-feira. O
número de mortos no país subiu para dois.