Estado de contingência alargado até domingo, eventual prolongamento decidido nesse dia
Incêndios
15 de jul. de 2022, 10:55
— Lusa/AO Online
“Entendemos que
tínhamos o dever de manter o mesmo grau de responsabilidade, o que
significa manter o estado de contingência entre os dias 16 e 17”, disse
José Luís Carneiro em conferência de imprensa na sede da Autoridade
Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).O
ministro adiantou que no domingo de manhã, após a reunião da ANEPC para
fazer atualização de dados e uma avaliação do ponto de situação, que
deve começar pelas 10h30, acontece uma reunião dos membros do Governo
“para avaliar se o nível de contingência se deve manter para além de
domingo ou se deve recuar no estado de alerta”.O
ministro da Administração Interna reuniu-se ao final da tarde na sede
da ANEPC com os ministros da Defesa Nacional, do Trabalho, Solidariedade
e Segurança Social, da Saúde, do Ambiente e Ação Climática e da
Agricultura e Alimentação, “para avaliação das medidas adotadas no
âmbito da Declaração de Situação de Contingência e decisão sobre o seu
prolongamento”.O prolongamento, para já,
por mais dois dias do estado de contingência, que já tinha sido avançado
hoje de manhã pelo primeiro-ministro, António Costa, numa visita ao
Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), justifica-se por
fatores como as elevadas temperaturas, os baixos níveis de humidade, os
ventos previstos e noites quentes, que não permitem um retorno a níveis
de temperatura mais baixos, explicou o ministro.Destacou,
no entanto, a taxa de eficácia de cerca de 90% no combate a incêndios
nos primeiros 90 minutos, sendo reduzida a percentagem dos que se
transformam em grandes incêndios, adiantando que 89% dos fogos têm uma
área ardida até um hectare.O ministro
sublinhou o reforço do dispositivo de combate este ano, com mais meios
humanos, técnicos e financeiros, com cerca de 13 mil operacionais, 60
meios aéreos e mais de três mil equipas, e que “os meios de que o Estado
dispõe estão todos em prontidão, todos mobilizados para enfrentar estes
momentos tão difíceis”.José Luís Carneiro
referiu ainda que hoje foram “detidos em flagrante delito” dois
incendiários, nos distritos do Porto e Setúbal, homens “na casa dos 50
anos”, que foram presentes às autoridades e aguardam o decurso
processual.Questionado sobre eventuais
ajudas do Estado a pessoas afetadas pelos incêndios, que tenham perdido
casas e bens agrícolas, José Luís Carneiro disse que este é ainda o
momento de combate aos fogos.“Haverá uma
altura para avaliar os danos causados e depois para nos colocarmos em
função dessa avaliação verificar em que termos é que podemos ir mais
longe do ponto de vista do reconhecimento desses danos e como é que a
administração central, regional e local poderemos contribuir para
mitigar essas perdas”, disse.Sobre as
declarações de hoje do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa,
a propósito da necessidade de reforço do estatuto dos bombeiros, o
ministro da Administração Interna respondeu com o reforço do
financiamento, inclusivamente para o fundo social dos bombeiros.“É
um percurso de valorização que tem vindo a ser desenvolvido ao longo
dos últimos anos e que vai continuar porque temos bem a noção de que
efetivamente os bombeiros constituem a coluna vertebral do sistema
nacional de proteção civil”, disse.Recordou
ainda as recomendações emitidas pela comissão de avaliação aos
incêndios de Pedrógão Grande, em 2017, a propósito de Marcelo Rebelo de
Sousa ter justificado hoje a sua ausência dos locais onde decorrem os
maiores incêndios.“A comissão que avaliou
os incêndios de Pedrógão Grande entendeu recomendar ao poder político
que se evitasse a presença nos locais onde se operam os comandos
distritais e locais, para evitar criar dificuldades a quem está no
terreno a procurar ter toda a eficácia e eficiência possível. […] É uma
recomendação que tomamos por boa recomendação”, disse o ministro.