Estado com excedente de mil ME até outubro, melhoria de 726 ME face a 2018
OE2019
26 de nov. de 2019, 18:34
— Lusa/AO Online
Num comunicado que
antecede publicação da síntese de execução orçamental, que será
publicada hoje pela Direção-Geral do Orçamento (DGO), o Ministério das
Finanças informa que "a execução orçamental em contabilidade pública das
Administrações Públicas (AP) até outubro registou um saldo de 998
milhões de euros".As Finanças explicam que
esta evolução corresponde a uma melhoria de 726 milhões de euros face
ao mesmo período de 2018, "em resultado de um crescimento da receita de
4,2% e da despesa de 3,2%".Até setembro, o
excedente das administrações públicas tinha-se fixado em 2.542 milhões
de euros, representando uma melhoria de 1.231 milhões de euros face ao
mesmo período de 2018. No comunicado hoje
divulgado, o ministério liderado por Mário Centeno refere que “o saldo
até outubro ainda não reflete o pagamento do subsídio de Natal dos
funcionários públicos e pensionistas”, acrescentando que a sua evolução
em contabilidade pública – que tem em conta o registo de entrada e saída
de fluxos de caixa – “beneficia de efeitos sem impacto no apuramento em
contas nacionais bem como de operações com efeito negativo apenas em
contas nacionais no valor de 1.008 milhões de euros”.De
acordo com a tutela, a receita fiscal aumentou 3,5% até outubro, “com
destaque para o aumento do IVA em 6,1%”, e o ministério volta a referir
que “a forte dinâmica da receita” é “essencialmente justificada pelo
desempenho da economia, apontando ainda que “o comportamento muito
favorável do mercado de trabalho teve reflexo na evolução da receita das
contribuições para a Segurança Social, crescendo 8,7% até outubro”.No
lado da despesa, as Finanças indicam que a despesa primária cresceu 4%,
“influenciada pelo expressivo crescimento da despesa do SNS [Serviço
Nacional de Saúde] em 6,5%, atingindo máximos históricos”.O
ministério liderado por Mário Centeno indica também que a despesa com
salários aumentou 4,7%, “acima do inicialmente previsto”, a refletir o
descongelamento faseado das carreiras entre 2018 e 2020, assim como “o
aumento do número de profissionais, em particular no SNS, destacando-se o
crescimento muito significativo na despesa com médicos e enfermeiros
(7,0%) e professores (3,6%)”. O Ministério
das Finanças indica também que a despesa com pensões da Segurança
Social cresceu 5,4%, a refletir o facto de a generalidade dos
pensionistas ter aumentos nas pensões e de “a grande maioria ter
aumentos superiores à inflação pelo segundo ano consecutivo, o que
acontece pela primeira vez na última década”. E a tutela recorda o impacto dos dois aumentos extraordinários de pensões, ocorridos em 2018 e 2019.O
Ministério das Finanças refere ainda que a evolução da despesa é também
explicada pelo aumento das prestações sociais (4,9%), sobretudo pelo
crescimento da despesa com o abono de família (10,2%) e a Prestação
Social para a Inclusão (28,7%).As Finanças
voltam a destacar “o significativo crescimento de 15% do investimento
público na Administração Central, excluindo Parcerias Público-Privadas
(PPP), com destaque para o investimento no setor dos transportes,
sobretudo na CP (26,4%)”.No Projeto de
Plano Orçamental, enviado à Comissão Europeia em 15 de outubro, o
Governo melhorou em uma décima a previsão do défice orçamental, para
0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, face aos 0,2% previstos no
Programa de Estabilidade 2019-2023, apresentado em abril.O
saldo orçamental em contas nacionais é apurado pelo Instituto Nacional
de Estatística (INE), que divulgou que o défice se fixou em 0,8% do PIB
(789,3 milhões de euros) no primeiro semestre do ano.