Estabelecimentos prisionais dos Açores com novos projetos de educação e promoção da saúde
11 de set. de 2018, 20:20
— Lusa/AO Online
“Quando alguém é
condenado a uma pena de prisão fica com o seu direito de circulação
constrangido, fica com o seu direito de emigração constrangido, mas não
fica com o seu direito à saúde, ao ensino ou ao trabalho minimamente
beliscado”, adiantou, em declarações aos jornalistas, o diretor-geral de
Reinserção e Serviços Prisionais, Celso Manata, à margem da assinatura
dos protocolos, em Angra do Heroísmo.Um
dos protocolos, assinado também com a Casa do Povo de Santa Bárbara,
passa pela realização de sessões de educação para a saúde e de consultas
de psicologia no Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo. O
segundo protocolo, que envolve a direção regional do Emprego do
executivo açoriano, prevê a realização de cursos de competências básicas
nas três cadeias dos Açores, em Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e
Horta.Segundo
Celso Manata, os projetos, que não envolvem custos acrescidos para a
Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, permitem otimizar os
recursos existentes nos Açores, promovendo a reintegração dos reclusos.“De
cada vez que nós damos passos no sentido de melhorar as condições de
vida das pessoas, no sentido de propiciar a reintegração social, estamos
a prevenir novas infrações criminais e estamos a proteger a sociedade”,
frisou.O diretor realçou as mais-valias deste tipo de projetos, sobretudo na área da saúde, onde já existem resultados alcançados.“Quando
nós fazemos educação para a saúde ou quando nós fazemos programas de
saúde, sobretudo na área das toxicodependências, está mais do que
demonstrado, quer internamente, quer a nível internacional, que todos
estes projetos são mais efetivos, porque as pessoas não falham. As
pessoas estão lá, vão sempre às sessões, tomam os medicamentos, quando é
para tomar os medicamentos, o que nem sempre acontece na comunidade”,
explicou.Segundo
o secretário regional da Saúde, Rui Luís, a tutela já presta apoio a 71
reclusos no tratamento das dependências, nos três estabelecimentos
prisionais, e com esta nova parceria com a Casa do Povo de Santa Bárbara
pretende promover e melhorar a saúde dos detidos.“Nós
sabemos que tendo em conta o espaço contíguo onde eles estão e a
situação cumulativa com as dependências, por exemplo, é importante que
haja sessões de educação para a saúde”, apontou.Já
a diretora regional do Emprego e Qualificação Profissional, Paula
Andrade, destacou as vantagens de dotar os reclusos da escolaridade
obrigatória, alegando que a formação facilita a reintegração no mercado
de trabalho.“Durante
o ano passado fizemos um projeto piloto onde foi diagnosticada
população reclusa que não tinha escolaridade obrigatória e com vista à
sua reintegração futura entendeu-se que a empregabilidade depende muito
da qualificação e do nível académico desta população”, frisou.Em
2017, participaram no projeto piloto no Estabelecimento Prisional de
Ponta Delgada 15 reclusos e outros 50 inscreveram-se “livremente” para
frequentar os cursos de competências básicas da Rede Valorizar.“A
equipa de formadores da rede dirige-se ao estabelecimento prisional e
ministra a formação dentro do estabelecimento”, explicou Paula Andrade.O projeto iniciado em Ponta Delgada deverá agora alargar-se aos estabelecimentos prisionais de Angra do Heroísmo e da Horta.