Esquerda parlamentar aprova proposta de Orçamento, PSD e CDS votam contra
3 de nov. de 2017, 19:30
— Lusa/AO online
No final da votação, apenas os deputados da bancada do PS bateram palmas. As
propostas baixaram à comissão de Orçamento, Finanças e Modernização
Administrativa para serem discutidas na especialidade entre 06 e 17 de
novembro. Os partidos têm até ao próximo dia 17 para
apresentarem as propostas de alteração e o debate em plenário, ainda na
especialidade, prossegue entre 22 e 24, estando a votação final global
agendada para o dia 27. Durante os dois dias de debate na
generalidade, o primeiro-ministro, António Costa, e o ministro do
Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, manifestaram
disponibilidade para alterações ao documento na especialidade. António
Costa comprometeu-se a preparar propostas para garantir "cobertura
orçamental" às decisões do conselho de ministros extraordinário sobre os
incêndios, quer para reforçar os meios de combate e prevenção, quer
para permitir às autarquias prosseguirem a reconstrução dos seus
equipamentos. O primeiro-ministro admitiu alterações ao novo
regime criado para os trabalhadores independentes, assumindo que possa
haver situações, como as dos pequenos agricultores, que ficam
prejudicados com a mudança. O ministro Vieira da Silva
comprometeu-se a estudar uma solução para os trabalhadores que pediram
reforma antecipada durante o período da "troika" e foram penalizados no
valor das suas pensões por vários fatores. Uma das medidas
centrais do orçamento é o descongelamento de carreiras da administração
pública que, segundo a proposta, vai iniciar-se em 01 de janeiro de 2018
e será feito em dois anos. O debate do OE na generalidade teve
alguns momentos de crispação entre as bancadas do PSD e CDS-PP por um
lado, e da esquerda parlamentar, por outro, quando foram debatidas as
"cativações" na despesa que afetam os serviços públicos. Sobre
este tema, o ministro das Finanças, Mário Centeno, assegurou que no
próximo ano haverá "uma redução muito significativa" das cativações no
Orçamento do Estado, com valores previstos de 1156 milhões de euros
contra os 1423 milhões deste ano. À esquerda, PCP, BE e PEV
defenderam que o documento prossegue o caminho de reposição de
rendimentos e direitos, exigindo no entanto abertura do Governo para
propostas de alteração na especialidade. As críticas ao PSD e ao
CDS-PP foram uma constante nas várias intervenções dos partidos à
esquerda. O líder da bancada do BE, Pedro Filipe Soares acusou os
sociais-democratas de "falsidade e incoerência", e António Filipe, do
PCP, sustentou que aqueles partidos demonstraram "desorientação". O
PAN valorizou o esforço do Governo para a "segurança económica" dos
cidadãos mas criticou a ausência de propostas para, por exemplo,
promover a agricultura biológica e fez um apelo "à consciência" dos
deputados para que acabem com os benefícios fiscais aos artistas
tauromáquicos. Na abertura do debate, António Costa pediu ao PSD
para se deixar de "diabos e fantasmas", sublinhando que os
sociais-democratas se devem concentrar nos resultados do país em matéria
económica e social. O Governo espera que a economia cresça 2,2%
em 2018 e que a taxa de desemprego caia para os 8,6% da população ativa
e, na vertente orçamental, o défice deverá reduzir-se para 1% e a dívida
pública deverá cair para os 123,5% no próximo ano. No segundo
dia do debate, um "regresso ao passado" voltou a dividir a esquerda e a
direita parlamentar, quando o ministro do Trabalho, da Solidariedade e
da Segurança Social, Vieira da Silva, se referiu à política do anterior
governo PSD/CDS-PP, dizendo que preparava um "corte de 600 milhões de
euros nas pensões". No encerramento, o social-democrata Luís
Marques Guedes defendeu "a necessidade de uma clarificação política",
lamentando que o primeiro-ministro não tenha tido "a coragem política"
de aceitar o desafio do PSD e apresentar uma moção de confiança na
Assembleia da República.