Esquerda e PAN criticam caminho para privatização total da companhia

TAP

Hoje 16:19 — Lusa/AO Online

“O Governo, ao privatizar uma parte da TAP e tendo muito provavelmente como intenção privatizar a totalidade da TAP, é um Governo que está a falhar ao país porque está a fazer o que é mais fácil, que é vender os seus ativos”, criticou o porta-voz do Livre Jorge Pinto, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República. O deputado reagia ao facto de o Governo ter selecionado hoje Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.Na ótica de Jorge Pinto, “um Governo que tem um ativo como a TAP pública e abdica de ter a totalidade do controlo, podendo pensar na transformação do setor aéreo, na transformação e na transição ecológica também dentro da aviação, é um Governo que falha ao país”.Distanciando-se da decisão do executivo PSD/CDS-PP, o dirigente considerou ainda que “parece haver um gato escondido com o rabo de fora”, argumentando que “há muitas coisas ainda por esclarecer, muitas incertezas até relacionadas com o que será o futuro da pista de Tancos”.Pelo PCP, o secretário-geral Paulo Raimundo manifestou uma “profunda incompreensão pelo ar alegre e satisfatório” dos membros do Governo no anúncio de hoje, e considerou que “há duas coisas que estão escritas nas estrelas”.“Uma é que o objetivo do Governo é privatizar a TAP a 100%. E a segunda coisa que está escrita nas estrelas é que não vale a pena confiar em nada do que foi dito, em nada do que está escrito, nem em nada do que está assinado. Porque nada do que são as chamadas contrapartidas vai ser concretizado”, antecipou.Paulo Raimundo considerou que “ainda há espaço para travar este crime económico”, apelando à mobilização dos trabalhadores e da sociedade civil para que insurjam contra a entrega da “única empresa de bandeira do país ao capital estrangeiro”.O deputado único do BE, Fabian Figueiredo, considerou que o Governo “deu uma má notícia ao país” e deixou “evidente que o seu objetivo continua a ser a privatização integral”.“Creio que a primeira pergunta que se deve fazer é porque é que uma grande empresa de aviação alemã quer adquirir a TAP. Há uma razão simples: porque a TAP é um grande ativo no mercado aeronáutico internacional, por causa do seu ‘hub’, por causa das linhas que tem, por causa dos quadros que tem, é por isso que a Lufthansa quer ficar com a TAP, razão pela qual Portugal não deve vender a TAP”, sustentou.O bloquista adiantou que o seu partido já solicitou toda a documentação relativa ao processo de privatização “porque ele levanta várias dúvidas”, lembrando a privatização da TAP em 2015 também protagonizada por Miguel Pinto Luz, que disse, “se veio a revelar um cambalacho”.A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, manifestou-se preocupada com uma “intenção de privatização a 100%”, considerando que o primeiro-ministro deve dizer ao país “onde é que estas fases de reprivatização têm um limite”.Inês Sousa Real alertou ainda para algumas "preocupações que não estão em cima da mesa, nomeadamente com a expansão aeroportuária e com o novo aeroporto” em matéria ambiental, “a própria pressão turística que vai gerar esta nova capacidade do ponto de vista dos voos, ou até mesmo a preocupação com a terceira via sobre o Tejo".