Espólio museológico da SINAGA “devidamente preservado para memória futura”

23 de ago. de 2024, 16:24 — Lusa

“Em 2021 foi dado início ao procedimento de inventariação e incorporação do acervo museológico e arquivístico da SINAGA, a cargo do Museu Carlos Machado, tendo sido elaborado o relatório sobre a Coleção SINAGA, que evidencia a diversidade e o valor histórico-cultural do acervo”, adiantou o executivo açoriano numa resposta enviada ao deputado único do PAN/Açores, Pedro Neves, através do parlamento regional e hoje consultada pela agência Lusa.Pedro Neves questionou em julho o Governo Regional sobre o espólio histórico da extinta indústria de açúcar SINAGA, visando a sua salvaguarda.Em requerimento entregue na Assembleia Legislativa Regional, o deputado interrogou o executivo da coligação sobre “quais as medidas implementadas para execução das recomendações da resolução [da sua autoria, aprovada em 2022, no parlamento] relativa à proteção e reconversão do património industrial da SINAGA”.Na resposta, o secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, informou que “existem registos fotográficos gerais e de pormenor, para memória futura, tendo sido registadas, acondicionadas e transportadas as peças cuja dimensão assim justificou, e mantidas, nas respetivas instalações fabris, a maquinaria e equipamentos de maior dimensão”. “As peças desta coleção foram depositadas no Núcleo de Santa Bárbara e nos armazéns do Museu Carlos Machado, a fim de serem inventariadas e objeto de estudo, à semelhança do tratamento da documentação”, acrescentou.A Fábrica do Açúcar foi instalada na freguesia de Santa Clara em 1906, tendo sido comprada pela SINAGA em 1969. Desde 2010, tinha uma participação de 51% do Governo Regional, tendo sido extinta entretanto.O deputado do PAN/Açores também questionava quando previa o Governo Regional proceder à reconversão do património da fábrica, “por forma a evitar a contínua degradação, bem como apurar a existência, ou não, de projetos futuros para a reconversão deste património”.Pedro Neves reiterou que o referido património “deve ser devolvido à população” e relembrou a “inércia do executivo na sua reconversão”.Paulo Estêvão respondeu que a região “dedica uma especial atenção aos complexos fabris, não só pela sua especificidade e dimensão, mas principalmente pelo seu valor histórico-cultural”.A Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública adjudicou serviços permanentes de segurança e vigilância das antigas instalações da Fábrica do Açúcar, 24 horas por dia, durante todo o ano, “respondendo às expectativas da população e evitando o uso indevido do espaço e, consequentemente, a sua vandalização”, esclareceu.O governante indicou ainda que o gabinete do Secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública desenvolveu contactos com as câmaras municipais de Ponta Delgada e Lagoa, Junta de Freguesia de Santa Clara e Secção Regional da Ordem dos Arquitetos, “no sentido de recolher ideias e contributos para o futuro dos edifícios” fabris.A região “pretende promover uma discussão pública com vista à recolha de ideias para a melhor reconversão, aproveitamento e rentabilização de todo aquele património, tendo em consideração a viabilidade e as condicionantes aplicáveis”, adiantou.Em setembro de 2021, o então secretário das Finanças, Planeamento e Administração Pública do Governo dos Açores, Joaquim Bastos e Silva, disse que extinguir a açucareira SINAGA foi uma decisão “imprescindível” e das “mais óbvias” do executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM.O governante adiantou, na altura, que a açucareira somava uma dívida aos fornecedores de 810 mil euros, a que se juntava 35 milhões de prejuízos ao longo dos anos.