Espetáculo dá a conhecer inúmeras figuras históricas dos Açores já falecidas
20 de jun. de 2025, 09:52
— Rafael Dutra
Hugo van der Ding e Tiago Ribeiro vão trazer o espetáculo “Vamos Todos
Morrer” amanhã às 21h30, ao Teatro Micaelense, através do qual
pretendem contar, com humor, alguma histórias sobre os Açores e as
pessoas que por lá passaram.Em entrevista ao Açoriano Oriental, Hugo
van der Ding explana que depois de mais de 1200 episódios e seis anos
do programa na Antena 3, decidiu, com Tiago Ribeiro, terminá-lo, no
final do ano passado, porque “era um ritmo muito alucinante”, uma vez
que “eram episódios diários e envolvia muita investigação e muito
trabalho”.No entanto, e tendo em consideração que já tinham feito
espetáculos ao vivo, há cerca de dois anos, um pouco por todo Portugal
Continental, decidiram ir aos Açores, para um evento que acaba por ser
“uma emoção dupla”.“Primeiro porque o Tiago Ribeiro é dos Açores, é
de São Miguel, e depois porque, ao longo desses seis anos, contámos
tantas histórias dos Açores”, realça, revelando que para si vir à Região
“é mesmo uma emoção muito grande”.“Eu não sou açoriano, mas de
tanto contar as histórias, de tanto conviver com o Tiago e com outras
pessoas, tenho uma ligação muito especial com esse lugar, onde só estive
uma vez mesmo e, portanto, estou muito emocionado”, vincou.No
espetáculo, será contada a história de um lugar, através das pessoas que
lá passaram, de modo que se mostre que a história, que para muitos,
pode ser considerada “um bicho-papão”, “maçadora e com muitas datas”,
pode, de igual modo, ser “ interessante” se for contada como num filme,
ou como “se vê num romance”, prossegue o locutor, adiantando que é algo
divertido e emocionante.“De vez em quando também digo os meus
disparates e invento umas coisas e as pessoas acabam por rir”,
acrescenta o humorista, entre risos.O princípio do espetáculo parte
de “esta ideia tão interessante de um sítio, que não sendo muito grande e
sendo no meio do mar, que de lá saíram tantas pessoas que marcaram a
vida em Portugal”, explica Hugo van der Ding, declarando que para além
de muitas figuras conhecidas, existem outras “com ligações que hoje não
conhecemos”, que vão desde “atores de Hollywood” a uma mão cheia de
“presidentes da República do Brasil”, elenca.“É tão fascinante essa ideia de tantos açorianos que foram espalhados pelo mundo e com vidas tão interessantes”, sublinhou.Nesse sentido, serão abordadas muitas figuras conhecidas mortas, mas também algumas que ainda estão vivas. “Depois,
gostava de fazer uma viagem que inclui aqueles nomes que nós
conhecemos, mas contar um bocadinho de histórias que talvez sejam menos
conhecidas”, destaca, frisando que o objetivo é “fazer uma viagem por
alguns açorianos” que fazem mais parte do imaginário, como a família
Jácome Correia, a Natália Correia e Vitorino Nemésio, por exemplo, mas
também abordar “figuras um bocadinho menos conhecidas”.Uma das
principais personalidades que será recordada é a de um homem natural de
Vila Franca do Campo que “é a história do primeiro europeu que foi a pé
da Índia até à China, e que hoje é praticamente desconhecido”, revelou,
contando que este será “o grande momento da noite”: a história de “esse
tal homem incrível que sai de Vila Franca do Campo e vai morrer do outro
lado do mundo, perto de Pequim”.Serão ainda relembradas outras
tantas figuras que já constaram no programa, entre as quais a Madre
Teresa da Anunciada, Alice Moderno, Curry Cabral, a família Bensaude,
Brianda Pereira, Peter Francisco ou até o fundador do Açoriano Oriental,
Manuel António de Vasconcelos, entre outros.Apesar do programa ter
terminado, Hugo van der Ding tem agora um podcast, novamente com Tiago
Ribeiro, em que continua a contar histórias, em episódios semanais de 40
minutos.Intitulado “Vamos Viajar na Maionese”, este podcast mantém
alguma ligação com o “Vamos Todos Morrer”, no sentido em que esta dupla
continua a contar histórias “muitas delas portuguesas” e outras tantas
“menos conhecidas” que vão descobrindo.“Para quem já nos conhece no
‘Vamos Todos Morrer’, é ótimo, para quem não o conhece, é uma maneira de
conhecer aquilo que nós fazemos. E, claro, temos também muitos
disparates pelo meio e também não deixa de se aprender alguma coisa,
acho eu", finaliza.