Esperada produção a rondar as 900 toneladas de uva para vinho certificado

Hoje 16:38 — Rui Jorge Cabral

O presidente do conselho diretivo do Instituto da Vinha e dos Vinho dos Açores (IVVA), Cláudio Lopes, estima que a produção de uva para vinho certificado nos Açores ronde as 900 toneladas este ano.Uma quebra estimada de até 25% relativamente à produção do ano passado, sem que 2026 possa ser considerado um mau ano de produção.Isto porque, em 2025, a produção de uva para vinho certificado nos Açores ultrapassou as 1.100 toneladas, o valor mais elevado de sempre. Com a vindima a começar já em meados do próximo mês de agosto, Cláudio Lopes admite que este será “um ano de produção boa, que não ficará muito longe da produção do ano passado, mas mesmo assim será uma produção muito interessante se comparada com os quatro, cinco anos anteriores, em que as produções tinham sido bastante baixas”.O risco das pragasEm declarações ao Açoriano Oriental, o presidente do conselho diretivo do IVVA reconhece que “o mês de maio foi um mês com um clima difícil e o mês de maio é determinante... Mesmo assim, as vinhas aguentaram-se muito bem e, portanto, as produções vão ser muito razoáveis este ano”.Claro que até à vindima há sempre o risco das pragas, que nos Açores passam sobretudo pelo pombo-torcaz, pela rola-turca, pelo melro preto e até pelos lagartos, isto para além dos coelhos, que podem afetar a vinha no início do ciclo vegetativo.Por isso, explica Cláudio Lopes, “o IVVA propôs à tutela a criação de um grupo de trabalho para refletir sobre esta temática da influência das pragas na produção de uvas”, sendo que o grupo de trabalho deverá em breve apresentar um relatório ao Governo Regional “com algumas sugestões de intervenção para mitigar este problema”.O que torna único o vinho dos Açores?Para Cláudio Lopes, o vinho dos Açores começa a distinguir-se desde logo pelas castas que o produzem, sobretudo o vinho branco, feito a partir do Verdelho, uma casta adotada desde o início do povoamento das ilhas, a que se juntam duas castas “únicas no mundo”.São elas: Arinto dos Açores e Terrantez do Pico.Além disso, prossegue Cláudio Lopes, “os nossos vinhos sofrem a influência atlântica e são marcados por uma frescura, uma acidez, uma salinidade e uma mineralidade que é muito especial” e que não se repete em mais nenhum ‘terroir’ no mundo, pela sua combinação única de fatores naturais e humanos, que influenciam a produção da uva nos Açores.Pelas suas características, o vinho dos Açores tem ainda uma vida útil mais longa e um poder de conservação elevado. Portanto, conclui o presidente do conselho diretivo do IVVA, os vinhos dos Açores “são efetivamente vinhos de excelente qualidade e muito diferenciados de outros vinhos, com uma autenticidade e uma genuinidade muito próprias”.