Especialistas lamentam que reabilitação respiratória só chegue a 1% dos doentes
Hoje 15:16
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) defende que para
melhorar o acesso dos doentes a estes programas – que incluem
exercícios, técnicas respiratórias e apoio na mudança de comportamentos -
a reabilitação respiratória deve sair dos hospitais e estender-se aos
cuidados primários, redes comunitárias e até ao domicílio.Citado
no comunicado, Carlos Figueiredo, do grupo de trabalho da Reabilitação
Respiratória da SPP, sublinha a necessidade de sair de “um modelo
centrado no centro especializado”.“Os
cuidados de saúde primários e as redes comunitárias até de domicílio
podem ser uma efetiva estrutura que permita um aumento do acesso, com a
formação adequada e disseminada por todos os locais potenciais e uma boa
articulação com os centros especializados / hospitais / centros de
investigação”, defende.Carlos Figueiredo
recorda que os ganhos destes programas são “diversos, significativos e
multifatoriais” e destaca a melhoria dos sintomas e da qualidade de vida
do doente, assim como o aumento da capacidade de exercício.Diz
ainda que a reabilitação respiratória está associada a uma redução das
exacerbações da doença, das necessidades de internamento e do número de
idas à urgência. Os benefícios estendem-se a menor absentismo laboral e
escolar.“Alguns dados apontam para redução da mortalidade”, acrescenta o especialista.O
programa de reabilitação respiratória integra exercício (aeróbico e de
fortalecimento muscular), técnicas respiratórias, educação, apoio à
adoção de comportamentos saudáveis, mas também apoio nutricional. A
SPP sublinha a “evidência [prova] robusta” da reabilitação respiratória
na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) estável ou em situações de
crise, assim como os resultados que tem obtido nas restantes doenças
respiratórias crónicas, e defende que este é um dos tratamentos mais
custo-eficazes disponíveis.No comunicado,
divulgado a propósito do Dia Nacional da Reabilitação Respiratória, que
se assinala a 21 de abril, a SPP aponta também resultados no doente
internado/agudo – desde a enfermaria aos cuidados intensivos -,
melhorando a evolução clínica.