Especialistas chineses insistem na política de zero casos face a agravamento de surtos
Covid-19
14 de mar. de 2022, 13:40
— Lusa/AO Online
Numa
mensagem difundida através da rede social Weibo, Zhang explicou que o
país asiático deve “aproveitar este período como uma oportunidade para
desenhar estratégias anti-pandemia mais sábias, completas e
sustentáveis”.Zhang
admitiu que a China atravessa o momento “mais difícil” desde que a
pandemia eclodiu, no início de 2020. Desde o início do mês, o país
passou de 119 para 3.122 casos diários.Apesar
da extensão dos surtos, o epidemiologista salientou que a “virulência
do coronavírus diminuiu”, acrescentando que as “pessoas com imunidade
normal e que receberam uma dose de reforço não terão problemas”.Zhang
assegurou que se a China - que mantém as suas fronteiras praticamente
fechadas a estrangeiros não residentes há dois anos, e exige uma
quarentena mínima de 14 dias para quem entra no seu território – se
abrisse aos estrangeiros, “aumentaria o número de casos num período
muito curto e o sistema médico nacional ficaria sobrecarregado”,
causando “danos irreparáveis” à sociedade.Wang
Guangfa, especialista no sistema respiratório que foi um dos primeiros a
visitar Wuhan, durante o primeiro surto de covid-19, em janeiro de
2020, explicou este fim de semana que a variante Ómicron, já dominante
no país asiático, significa que há mais casos assintomáticos, “tornando
difícil detetar os infetados a tempo”.Wang,
citado pelo jornal oficial Global Times, acrescentou que a proporção
relativamente baixa de vacinados entre os idosos “ainda é um dos maiores
problemas”.O
especialista disse ter esperança de que o número de casos “se reduza
significativamente em duas semanas” e previu que o país volte aos zero
casos no espaço de 28 dias.Cidades
como Shenzhen e Changchun estão atualmente sob confinamento parcial ou
total, devido ao aumento do número de infeções entre a sua população.Nas
últimas semanas, algumas vozes na China sugeriram um possível ajuste à
estratégia de zero casos de covid-19, que envolve, além dos
confinamentos, restrições nas viagens internas e testes em massa sempre
que um caso é detetado.O
epidemiologista Zeng Guang, ex-chefe do Centro de Controlo e Prevenção
de Doenças, afirmou recentemente que as “restrições não durarão para
sempre” e que a China “vai apresentar o seu roteiro para coexistir com o
vírus na altura apropriada”.