Especialista em menopausa quer educar as mulheres para que exijam respostas dos médicos
1 de jan. de 2025, 11:05
— Lusa
“Há
mais de 10 anos que ensino médicos, mas há que ensinar utentes também,
pois a inércia dos médicos em se atualizarem é consequência de uma
população pouco elucidada e exigente”, disse a médica à Lusa, numa
entrevista por ‘email’.O evento, a
decorrer em Lisboa em 05 de abril e que já tem 220 inscritos, destina-se
às mulheres, mas também aos homens, que devem “perceber estas matérias
para ajudarem as suas mulheres”.O tema da menopausa “será abordado numa linguagem fácil e compreensível para a grande maioria da população”.A
médica patologista clínica, que há 16 anos se dedica à menopausa,
defende que as mulheres têm direito a um envelhecimento saudável, “o que
passa necessariamente pela modulação hormonal”, afirmou.Com
mais de 10 mil seguidores na rede social Instagram, Ivone Mirpuri
reconhece que as mulheres “estão mais atentas” e tentam procurar ajuda,
mas lamenta que “a maioria dos médicos portugueses” não acompanhe esta
evolução: “Veja-se o que a grande maioria dos ginecologistas ainda hoje
diz às mulheres acerca da terapêutica de compensação hormonal”.Na
maioria dos casos, os médicos estão mal informados e continuam a
associar a terapia hormonal ao cancro da mama, com base num estudo com
mais de 20 anos e que já está desacreditado, lamentou Ivone Mirpuri.A
médica formou mais de 400 médicos nos últimos 10 anos e diz que há
alguma evolução: Nos primeiros cursos, há 10 anos, participavam cerca de
20 médicos, mas no ano passado, pela primeira vez, foi preciso fazer
duas edições, com um total de 110 participantes.“Os
médicos começaram a perceber que têm de saber destas matérias, pois a
população cada vez está mais instruída e exige respostas objetivas e
científicas e não baseadas nas suas crenças e medos”.Para
a especialista, “este assunto é de suma importância pois, dado o
aumento da longevidade, a mulher passará pelo menos 40% da sua vida” em
menopausa.Segundo Ivone Mirpuri, “não há discussão possível sobre a proteção conferida pela terapia de compensação hormonal".Protege
contra a doença cardiovascular, que mata sete vezes mais do que o
cancro da mama; contra a fratura osteoporótica que mata cinco vezes
mais; contra a demência, outros tumores e síndroma génito urinário,
enumerou.E embora só 30% das mulheres
apresentem os famosos “calores” da menopausa, “sem reposição hormonal
todas apresentarão secura vaginal, atrofia das mucosas, incontinência
urinária, diminuição da libido, dores nas relações sexuais, infeções
urinárias de repetição, maior flacidez da pele”.Também
a nível emocional, a menopausa tem efeitos: “sensação de cabeça vazia,
perdida, falta de concentração, falta de memória, mau sono,
irritabilidade”.“Isto é um paradoxo.
Porque continuamos a cultivar o medo da terapêutica hormonal sabendo que
a terapêutica dá mais saúde e energia, vitalidade e protege de muitas
doenças?”, questionou.Numa derradeira
tentativa de combater esse paradoxo antes de se retirar, a médica
pretende em abril lançar um “alerta a todas as mulheres, na esperança de
que os médicos se atualizem para a construção de uma sociedade mais
saudável, produtiva e feliz”.