Especialista defende "acesso mais rápido" e "medidas de reorganização" para tratar AVC
26 de out. de 2017, 12:14
— Lusa/AO Online
A
propósito do Dia Mundial do AVC , que se assinala domingo, Teresa
Cardoso, que é também assistente hospitalar graduada sénior de Medicina
Interna no Centro Hospitalar de São João, no Porto, alertou para “a
necessidade de um acesso rápido por parte dos doentes a determinados
tratamento e intervenções, que podem fazer a diferença”.Teresa
Cardoso defende que esta rapidez “é a chave no sucesso e constitui um
enorme desafio na reorganização do sistema de saúde”.A
especialista propõe medidas como “o aumento dos centros de intervenção
e/ou a criação de estratégias de transporte direto dos doentes para
esses centros após avaliação de indicação”, o que obriga “a uma
reorganização rápida dos recursos”. “É um grande desafio tornar
as novas estratégias terapêuticas na fase aguda do AVC rapidamente
acessíveis à maioria da população”, considerou.De acordo com os
dados publicados pela Direção-Geral da Saúde (Relatório do Programa
Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares 2017), tem-se
assistido a “uma diminuição progressiva da mortalidade por AVC nos
últimos anos em Portugal (19,7%), particularmente no AVC isquémico
abaixo dos 70 anos (redução de 39%)”, o que se traduziu em “menos 1.261
óbitos entre 2013 e 2014”.Estes resultados refletem “uma melhor
prevenção (lei da cessação tabágica, legislação sobre o conteúdo de sal
no pão, tratamento da hipertensão, anticoagulação na fibrilhação
auricular, controlo da diabetes entre outros), uma consolidação da
atividade nas unidades de AVC, uma melhoria no encaminhamento dos casos
de AVC agudo através da via verde e a uma enorme evolução no tratamento
da fase aguda do AVC”. A estes números juntam-se outros que
revelam que “em 80,7% dos casos, decorreram menos de duas horas entre a
identificação dos sinais e sintomas de AVC e o encaminhamento através da
Via Verde do AVC”, cuja ativação “leva a uma resposta célere, mais
adequada e eficaz dos serviços de saúde”.“E aqui assume
particular relevância a educação das populações para o reconhecimento
precoce dos sinais de alarme e da forma de acionar os meios específicos
de auxílio (112)”, sublinhou a médica.