Especialista considera “errado” voltar atrás na construção de incineradora em São Miguel
7 de out. de 2021, 17:21
— Lusa/AO Online
O
professor do Instituto Superior Técnico foi ouvido na comissão de
Assuntos Parlamentares, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do
parlamento açoriano, a propósito de projetos do BE, do PAN, do Chega e
de uma petição sobre a gestão de resíduos na região.“Se
tivéssemos essa discussão há seis, sete anos atrás, ela poderia fazer
sentido. Agora quando está feita uma adjudicação, que depois nos iria em
muito penalizar e dar origem a elevados prejuízos indemnizatórios,
parece-me errado”, declarou Levy.Em 2016, a
Associação de Municípios da Ilha de São Miguel decidiu, por
unanimidade, avançar com a construção de uma incineradora de resíduos,
orçada em cerca de 60 milhões de euros.O
contrato entre a italiana Termomeccanica e a MUSAMI – Operações
Municipais do Ambiente para a construção da incineradora, num
investimento de 58 milhões de euros, foi assinado em fevereiro, apesar
das contestações judiciais por parte de associações ambientalistas.“Tecnicamente e economicamente não acho recomendável voltar atrás”, reforçou o engenheiro.Levy
afirmou que, aquando da construção das centrais de valorização no Porto
ou em Lisboa, as associações ambientalistas também “andaram a criar
junto da população uns medos e uns receios”, relativos aos impactos
ambientais daquelas infraestruturas.“O que
é um facto é que, quer uma central quer outra fazem um controlo diário
contínuo e nada desses receios se tem verificado”, assinalou.O
professor universitário disse ainda ser necessário “avançar” com um
sistema de “recolha seletiva” e com os incentivos à população para fazer
a triagem dos resíduos.O deputado do
CDS-PP Rui Martins questionou Levy sobre a possibilidade de transferir
resíduos de uma ilha maior para uma mais pequena, tendo o especialista
considerado que tal hipótese “não é tecnicamente correta”.O
social-democrata Marco Costa especificou a “dificuldade do transporte
interilhas” com a questão do movimento dos “subprodutos de processamento
animal”.José Contente, do PS, considerou
que existe uma “extemporaneidade” dos diplomas em discussão, uma vez que
o processo da construção de um central de valorização energética em São
Miguel “está muito desenvolvido”.O líder
parlamentar do BE, António Lima, recordou que o projeto do partido deu
entrada no parlamento a 18 de fevereiro de 2021, com pedido de urgência e
dispensa de exame em comissão, tendo baixado à comissão porque existiu
um “clara manobra delatória” por parte de PSD, PS e CDS-PP.O
Movimento Salvar a Ilha alertou, esta quinta-feira, o ministro do Ambiente e da Ação
Climática, bem como a Comissão Europeia, para um “grave incumprimento”
da legislação comunitária sobre ambiente se a incineração avançar na
ilha de São Miguel.