Especialista alerta para os baixos níveis de vitamina D na população portuguesa
12 de out. de 2017, 10:47
— Lusa/AO online
"Não basta estar sol lá fora. É
preciso expor a nossa pele ao sol e os portugueses são pouco dados a
isso, pois quando está bastante calor tendem a fugir do sol", disse à
agência Lusa Pereira da Silva. O especialista, que integra a
comissão organizadora da terceira edição do "Fórum D", que decorre no
sábado em Coimbra, salientou que os "nórdicos quando está sol e calor
apanham-no, porque sabem que não têm muitas oportunidades". Já os
portugueses, acrescentou, se apanhassem sol com alguma regularidade,
dado que o clima proporciona vários meses de exposição solar, "deviam,
de facto, ter menos falta de Vitamina D do que esses países". "O
que se passa é que tradicionalmente em Portugal não apanhamos sol nas
horas de maior calor, que são aquelas em que o sol é mais capaz de
produzir a vitamina D, que é entre as 11:00 e as 16:00, entre abril e
outubro, e nas quais evitamos fazê-lo", sublinhou. Uma situação
que contrasta com o apelo das autoridades de saúde para que as pessoas
evitem a exposição solar naquelas horas, mas que o professor Pereira da
Silva considera que a mensagem deveria ser no sentido das pessoas terem
cuidado "com a exposição excessiva ao sol". "A dose necessária
[de sol] para produzir a vitamina é muitíssimo inferior à dose
necessária para causar uma queimadura ou para aumentar o risco de cancro
da pele", frisou o médico. Segundo o especialista, a falta de
vitamina D é diretamente responsável por doenças como a osteoporose,
"que já é um problema de saúde pública", e a osteomalacia, consequência
direta de falta de vitamina D, o equivalente no adulto ao raquitismo. "Um
estudo indica que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) atende cada ano
mais de 10 mil pessoas com uma fratura da anca, o que significa, a
preços muito económicos, qualquer coisa como 260 milhões de euros de
custos só para tratar estas fraturas, e esse número vai aumentar muito,
porque está muito relacionado com a idade", prevê Pereira da Silva. A
osteoporose tem uma "relação muito direta com a falta de vitamina D,
pois quem não tiver boa vitamina D não consegue absorver cálcio da
alimentação e não havendo cálcio a entrar no sangue o organismo vai
buscá-lo aos ossos, enfraquecendo-os". O especialista em
reumatologia disse ainda há uma quantidade enorme de estudos por todo o
mundo que relacionam níveis baixos de vitamina D com uma variedade muito
grande de doenças, entre elas a diabetes, enfarte do miocárdio,
hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, certas formas de cancro e
de infeção. Relativamente à relação entre as doenças oncológicas e
certos tipos de infeção, o médico considera que a prova "não é
absolutamente sólida, pelo que não se sabe se a falta de vitamina D é a
causa ou apenas o acompanhante destas patologias". Contudo, acrescenta, há uma relação muito forte com a longevidade. "As
pessoas que têm níveis mais baixos de vitamina D morrem mais cedo e
respondem pior aos tratamentos oncológicos", adiantou o professor da UC,
acrescentando que a suplementação é "muito barata e segura" e que
muitos países europeus já o fazem na população mais idosa. O
"Fórum D", que é o único evento totalmente dedicado a esta temática em
Portugal, vai juntar duas centenas de médicos no sábado, numa unidade
hoteleira de Coimbra, para "os ajudar a definir estratégias de atuação
relativas à vitamina D nas mais variadas doenças".