Espanha já devolveu a Marrocos mais de 8.000 pessoas e prepara repatriação de menores
Migrações
31 de mai. de 2021, 14:44
— Lusa/AO Online
Numa
conferência de imprensa, a delegada do executivo espanhol em Ceuta,
Salvadora Mateos, informou que mais de 8.000 migrantes que entraram de
forma irregular naquele enclave espanhol no norte de Marrocos, nos dias
17 e 18 de maio, já regressaram ao território marroquino, indicando
ainda que as autoridades espanholas aguardam concretizar a devolução,
nos próximos dias, de mais pessoas.“Estamos
a tentar controlar aqueles que não querem sair. Embora não saibamos o
número exato, vamos proceder à devolução", disse a representante,
relatando que muitos migrantes ainda permanecem nas ruas de Ceuta.“A
intenção é que depois de amanhã [quarta-feira] possam ser readmitidos
por Marrocos (…), caso contrário, o Governo já tem outra opção em cima
da mesa", prosseguiu, sem adiantar mais detalhes. Recordando
os acontecimentos registados este mês naquele território, Salvadora
Mateos afirmou que houve “uma situação de desencontro entre dois países
tradicionalmente amigos, onde a cooperação deve basear-se no respeito
mútuo”.“No dia 17 de maio isto não
aconteceu, porque sofremos a maior entrada ilegal de marroquinos
registada na história de Ceuta", frisou a delegada, defendendo que
perante tal episódio, que originou o destacamento de forças militares
espanholas na fronteira, as autoridades espanholas têm agido “de acordo
com a lei”, com uma “atuação comedida e humanitária” que “contribuiu
para salvar vidas”.Entre os muitos
milhares de pessoas (cidadãos marroquinos, mas também outros oriundos da
África subsaariana) que entraram de forma irregular em Ceuta, grande
parte delas a nado, constavam muitos menores desacompanhados.Salvadora
Mateos disse hoje que o executivo espanhol está “a trabalhar” para que
todos os menores marroquinos que entraram ilegalmente em Ceuta, cerca de
1.000, "regressem às respetivas famílias”.A
representante afirmou que a intenção é que estas crianças e jovens
"regressem o mais cedo possível” ao seu país e para junto das famílias,
argumentando que Ceuta não tem infraestruturas para acomodar um número
de migrantes menores de tal dimensão.E
defendeu que as procuradorias-gerais de Ceuta e de Marrocos deviam
alcançar um acordo que permitisse agilizar o regresso destes menores às
respetivas famílias.Neste momento, não há
qualquer procedimento previsto para a devolução dos menores, mas, de
acordo com Salvadora Mateos, “a cidade autónoma [Ceuta] está a preparar
documentação” para esse efeito.“O mais
fácil é chegar a um acordo entre Procuradorias-gerais para que essa
devolução ocorra e aqueles que chegaram partam com as suas famílias",
acrescentou.Em relação à saída de 200
menores marroquinos que já se encontravam em Ceuta, a delegada precisou
que estas crianças e jovens em questão estão a ser acolhidas em outras
comunidades autónomas espanholas.E reforçou que a intenção das autoridades locais é continuar a trabalhar “para devolver a normalidade a Ceuta”.“Contamos com o apoio do Governo e da Europa e pensamos que esta situação não se deve repetir”, concluiu Salvadora Mateos.