Espanha continua com 21 fogos preocupantes mas cenário é mais favorável
Incêndios
20 de ago. de 2025, 14:52
— Lusa/AO Online
"O número de
incêndios mantém-se estável" e "o cenário é mais favorável quanto à
evolução dos incêndios", disse a diretora da Proteção Civil nacional
espanhola, Virginia Barcones, numa conferência de imprensa em Madrid."Trabalhamos
com um cenário que parece mais favorável, mas sem baixar a guarda em
nenhum momento. Os incêndios continuam ativos, alguns em situação muito
complexa. Temos todos de continuar a somar esforços para acabar com os
incêndios", reforçou.Entre os 21 incêndios
de maior gravidade (classificados como de nível 2 numa escala que em
Espanha vai até ao 4), disse haver cinco mais complexos, por não estarem
a ter "uma evolução tão favorável como o resto": um na Galiza
(província de Ourense), um na Extremadura (em Cáceres) e três em Castela
e Leão (em Leão e em Zamora).Espanha
enfrenta há semanas uma onda de grandes incêndios no noroeste e no oeste
do país, nas regiões da Galiza, de Castela e Leão e da Extremadura,
todas na fronteira com Portugal.A área
ardida este ano aproxima-se dos 400 mil hectares e é já um recorde anual
em Espanha, sendo que só no mês de agosto arderam cerca de 340 mil
hectares, indicam dados, ainda provisórios, do Sistema Europeu de
Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).A
coordenação do combate aos fogos é competência dos governos regionais,
que, em caso de necessidade, podem solicitar meios ao Estado central ou
pedir à Proteção Civil a mobilização de ajuda de outras comunidades
autónomas. Virginia Barcones disse que o
número de solicitações das regiões afetadas tem diminuído nas últimas 24
horas e há mesmo dispensa de recursos do Estado central.Espanha
ativou em 11 de agosto o mecanismo europeu de proteção civil para
solicitar meios internacionais e recebeu ajuda de sete países da UE,
através de meios aéreos, terrestres e humanos de combate a incêndios,
naquele que é o maior contingente de ajuda internacional que já chegou
ao país desde 1975, referiu a Proteção Civil espanhola.Virginia
Barcones disse que continuam a trabalhar no combate aos fogos em
Espanha aviões de Itália, Países Baixos, República Checa e Eslováquia,
assim como equipas de bombeiros da Alemanha, França e Finlândia, além de
um grupo de Andorra, ao abrigo de um protocolo bilateral.Na Extremadura atuam, ainda, meios de Portugal, disseram hoje as autoridades da região.Virginia Barcones realçou que na evolução do combate aos fogos é, porém, fundamental, a evolução das condições meteorológicas.A
agência nacional de meteorologia de Espanha (Aemet) adiantou que as
temperaturas vão continuar abaixo dos valores registados nas últimas
semanas, aumentando os níveis de humidade relativa, num cenário que é
mais favorável ao controlo dos fogos.A
Aemet disse que a onda de calor que atingiu Espanha entre 03 e 18 de
agosto foi a terceira maior jamais registada em termos de duração e
poderá ser também "uma das mais intensas" de sempre, embora sejam
necessárias ainda algumas análises para confirmar esta conclusão.Perto
de 1.150 pessoas morreram em Espanha durante esta onda de calor de 16
dias por causas atribuíveis às altas temperaturas, de acordo com
estimativas do instituto de saúde pública espanhol Carlos III.