Espanha condena métodos dos EUA para combater tráfico de droga
3 de set. de 2025, 15:12
— Lusa/AO Online
O MNE espanhol comentava,
numa entrevista à rádio COPE, a morte de 11 pessoas que seguiam a bordo
de uma lancha venezuelana em águas internacionais pelas Forças Armadas
dos Estados Unidos, que disseram que se tratava de uma embarcação que
fazia tráfico de drogas e que as vítimas eram terroristas."Para
Espanha, a luta contra o tráfico de drogas é uma autêntica prioridade e
um fenómeno internacional em cujo combate colocamos um grande esforço,
mas o método que usa Espanha são sempre meios policiais e meios civis e
nunca meio militares", disse Albares.O MNE
disse não ter mais informação sobre o ocorrido para além da que foi
oficialmente partilhada pelo Governo norte-americano e o próprio
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.Questionado
sobre se se justifica matar 11 pessoas por serem traficantes de droga, o
ministro limitou-se a insistir que em Espanha não se usam métodos e
meios militares nestes casos.Forças
militares dos Estados Unidos no sul do Caribe mataram na terça-feira as
11 pessoas que iam a bordo de uma lancha que tinha saído da Venezuela,
num ataque contra "narcoterroristas", disse Donald Trump.
Segundo o Presidente norte-americano, as 11 pessoas pertenciam ao Tren
de Aragua (TDA), "uma organização terrorista estrangeira" que "opera sob
controlo de Nicolas Maduro", o Presidente da Venezuela, e que é
"responsável por homicídios em massa, tráfico de drogas, tráfico de
pessoas e atos de violência e terror em todos os Estados Unidos e no
Hemisfério Ocidental".Trump disse que o
ataque ocorreu enquanto os terroristas estavam no mar, "em águas
internacionais, transportando narcóticos ilegais, a caminho dos Estados
Unidos". Em resposta, o ministro das
Comunicações da Venezuela, Freddy Ñáñez, afirmou que as imagens
partilhadas por Trump foram criadas com inteligência artificial.Maduro
acusou hoje os Estados Unidos de enviarem navios de guerra para as
águas ao largo da Venezuela porque querem os "recursos naturais" do país
sul-americano, incluindo petróleo, gás e ouro.Num
evento transmitido pelo canal estatal Televisão Venezuelana, o líder
reiterou que os EUA mobilizaram "oito navios de guerra" e 1.200 mísseis
junto à costa do país.Maduro voltou a
rejeitar o argumento de Washington de que se trata de uma operação para
combater o tráfico de droga, descrevendo-o como uma "história, uma lenda
em que ninguém acredita".Mais de quatro
mil militares, incluindo aproximadamente dois mil fuzileiros navais,
juntamente com aeronaves, navios com capacidade antimíssil, foram
mobilizados por Washington para patrulhar as águas próximas da Venezuela
e das Caraíbas para combater os cartéis de droga.O
secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, garantiu na semana
passada que a iniciativa de Washington conta com o apoio de países como
Argentina, Paraguai, Equador, Guiana e Trinidade e Tobago.Na
quinta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres,
apelou aos Estados Unidos e à Venezuela para que “resolvam as diferenças
por meios pacíficos”.