Espanha avança com projeto inédito na Europa para criar “baixa menstrual”
17 de mai. de 2022, 16:34
— Lusa/AO Online
"Vamos
ser o primeiro país da Europa a introduzir uma licença temporária por
doença totalmente financiada pelo Estado para períodos dolorosos e
incapacitantes", disse a ministra da Igualdade, Irene Montero, em
conferência de imprensa depois da apresentação do novo projeto de lei.De
acordo com a responsável governamental, que pertence ao partido de
extrema-esquerda Podemos, parceiro minoritário no Governo “feminista”
liderado pelo Partido Socialista espanhol (PSOE), "já não é tabu ir
trabalhar com dor, ter de tomar comprimidos antes de ir trabalhar ou ter
de esconder” as dores menstruais.Irene
Montero indicou há alguns dias que a nova licença, que teria de ser
assinada pelo médico que tratava o doente, "não teria um limite de
tempo", enquanto que uma versão preliminar do projeto de lei a que os
meios de comunicação social tinham tido acesso na semana passada se
referia a uma licença de três dias que poderia ser prolongada para cinco
dias em caso de sintomas agudos.O projeto
de lei aprovado em primeira-leitura, muito debatido no seio do
executivo e dos sindicatos, terá ainda de receber o apoio do parlamento,
onde o governo está em minoria, antes da sua entrada em vigor.Se
o executivo receber luz verde dos deputados, a Espanha será o primeiro
país da Europa e um dos poucos no mundo a incorporar esta medida na sua
legislação, seguindo o exemplo do Japão, Indonésia e Zâmbia, por
exemplo. Esta "licença menstrual" é uma
das medidas-chave de um projeto de lei mais vasto que visa também
aumentar o acesso ao aborto nos hospitais públicos, que realizam menos
de 15% das interrupções de gravidez no país devido a uma objeção de
consciência por parte dos médicos.A futura
lei também irá permitir que as menores façam abortos sem consentimento
dos pais aos 16 e 17 anos, alterando uma disposição introduzido por um
Governo de direita em 2015.O aborto foi
descriminalizado em Espanha em 1985 e depois legalizado em 2010, mas
continua a ser um direito difícil de aplicar num país com uma tradição
católica importante, onde os movimentos antiaborto são muito ativos.O
texto do Governo também prevê o aumento da educação sexual nas escolas,
bem como a distribuição gratuita de pílulas do dia seguinte nos centros
de saúde e de contracetivos nas escolas secundárias.