Esforços diplomáticos intensificam-se para conseguir acordo de paz
Irão
Hoje 11:31
— Lusa/AO Online
Desde
a noite passada que o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano,
Abbas Araqchi, tem mantido conversações telefónicas com os seus
homólogos da Turquia, Hakan Fidan, do Iraque, Fuad Hussein, do Qatar,
Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, de Omã, Badr al-Busaidi, segundo o
Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, que não adiantou mais
pormenores.Araqchi falou ainda
telefonicamente com o secretário-geral das Nações Unidas, António
Guterres, a quem informou sobre o progresso das negociações de paz .Em comunicado, o Qatar disse de que pediu aos Estados Unidos e ao Irão
que respondam positivamente aos esforços de mediação do Paquistão para
alcançar um acordo "sustentável" que ponha fim à guerra, impeça uma
escalada e restaure a segurança no Golfo Pérsico.Segundo
o Qatar, o ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Mohammed bin
Abdulrahman, coordenou esta posição em conversações telefónicas
separadas com Arábia Saudita, Turquia e Jordânia.O
Qatar faz parte da poderosa aliança política e económica do Conselho de
Cooperação do Golfo, que inclui também a Arábia Saudita, o Kuwait, os
Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e Omã. Os seus membros são aliados de
Washington e alguns deles albergam importantes bases militares
americanas no Médio Oriente.Por esta
razão, todos foram atacados com mísseis e drones iranianos durante a
guerra, que começou a 28 de fevereiro, e as suas economias são das mais
afetadas pelo bloqueio iraniano do estreito de Ormuz, uma vez que
dependem das exportações de petróleo e gás.Na
sexta-feira, o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, que atua como
mediador entre o Irão e os EUA, chegou a Teerão para discutir a mais
recente proposta dos EUA para um acordo de paz.A
visita foi interpretada por alguns órgãos de comunicação social
regionais como sinal de progresso nas negociações, embora o porta-voz do
ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Bagaei, se tenha
mostrado cauteloso em declarações à televisão estatal na sexta-feira.“Não
podemos dizer que chegámos a um ponto em que um acordo esteja próximo. A
diplomacia leva tempo, e as partes estão a aproveitar todas as
oportunidades para expressar os seus pontos de vista”, declarou Bagaei,
que indicou que as negociações estão focadas no fim da guerra em todas
as frentes, incluindo o Líbano. Já as negociações sobre o programa nuclear iraniano serão abordadas numa fase posterior a um possível acordo de paz.Segundo
meios de comunicação iranianos, a República Islâmica exigiu aos EUA o
fim da guerra em todas as frentes, o levantamento das sanções, a
libertação de bens iranianos congelados, indemnizações por danos de
guerra e o reconhecimento da sua soberania sobre o Estreito de Ormuz
como pré-requisitos para um acordo inicial.O
presidente norte-americano, Donald Trump, insistiu na sexta-feira que o
Irão “nunca terá uma arma nuclear” e que o conflito “será resolvido em
breve”.Os Estados Unidos insistem até
agora que o Irão deve entregar 440 quilos de urânio enriquecido a 60%,
perto do nível militar de 90%, além de aceitar severas restrições ao seu
programa nuclear.As partes mantêm ainda
grandes divergências sobre o estreito de Ormuz, parcialmente bloqueado
por Teerão desde os primeiros dias da guerra, ao que os EUA responderam
impondo um bloqueio naval aos portos e navios iranianos na zona desde 13
de abril.O Irão quer ainda cobrar
portagens no trânsito marítimo através do estreito e defende a sua
jurisdição sobre a passagem estratégica, onde alega que os navios devem
obter autorização iraniana para navegar.