Escultura n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima submetida a "estudo aprofundado”
21 de nov. de 2018, 12:32
— Lusa/AO Online
Segundo
o Santuário de Fátima, este estudo “vai permitir perceber a forma como
José Ferreira Thedim a criou, a partir da descrição da irmã Lúcia, a
mais velha dos três pastorinhos”.O
estudo foi encomendado pelo Museu do Santuário de Fátima e centra-se
nos “materiais constituintes do suporte e superfície da escultura n.º 1
da Virgem Peregrina de Fátima, datada de 1947, que se deslocará
excecionalmente ao Panamá no próximo mês de janeiro”.Durante
15 dias, a escultura esteve à guarda do Centro de Conservação e
Restauro da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa para
ser submetida ao estudo.“Numa
primeira fase desta análise, para perceber o estado de conservação do
suporte e detetar intervenções passadas de conservação ou restauro, uma
equipa de especialistas realizou fotografias com luz visível,
fotografias com luz ultravioleta e radiografia digital”, explica o
santuário, em comunicado.Depois,
“para estudar o número e a espessura das camadas de tinta, identificar
pigmentos, vernizes e outros materiais utilizados na escultura, foram
recolhidas e analisadas micro amostras com o auxílio de infravermelhos e
de raios x”, acrescenta.De
acordo com o Santuário de Fátima, o objetivo do estudo não é apenas “o
conhecimento dos materiais constitutivos da escultura e da forma como
foram trabalhados”.O
santuário quer também “ter uma noção aprofundada de como é que ela se
encontra, dado que voltará a realizar, excecionalmente, uma grande
viagem até ao Panamá, onde participará na Jornada Mundial da Juventude,
em janeiro de 2019”, com a presença do papa Francisco.Esta escultura “deriva da imagem da Capelinha das Aparições feita em 1920” e foi construída a partir dos relatos da irmã Lúcia.“Além
de consolidar o Santuário de Fátima como um centro de culto
internacional, permitiu que o Santuário se aproximasse dos peregrinos de
todo o mundo”, sublinha.No
entender do diretor do Museu do Santuário de Fátima, Marco Daniel
Duarte, “a virgem peregrina n.º 1 é uma das figuras mais simbólicas do
catolicismo contemporâneo”, percorrendo, desde 1947, “os caminhos do
mundo”.Em
menos de dez anos, a imagem já tinha passado pelos cinco continentes,
sendo que, todos os anos de culto “valorizaram a carga simbólica”
daquela que é “talvez a peça artística mais viajada do mundo”,
acrescenta o diretor.Segundo
o santuário, esta escultura está “entronizada na Basílica de Nossa
Senhora do Rosário de Fátima desde o ano 2000, tendo saído em situações
absolutamente excecionais, como foi a peregrinação que fez entre 2014 e
2016 pelos mosteiros de clausura e pelas dioceses portuguesas”.