Escolas vão ter guia com orientações para combater discriminação de género
17 de mai. de 2023, 16:30
— Lusa
O
guia “Orientações para a prevenção e combate à discriminação e
violência em razão da orientação sexual, identidade de género, expressão
de género e características sexuais, em contexto escolar” foi hoje
apresentado num fórum intitulado 'Direito a Ser nas Escolas' para
assinalar o Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia e a Transfobia e
sugere medidas que pretendem garantir a segurança e o bem-estar de
estudantes transgénero, nomeadamente assegurar o respeito pelo seu nome
auto atribuído em todas as atividades escolares e extraescolares.As
orientações do guia visam ainda garantir que estudantes transgénero
tenham acesso seguro às casas de banho e balneários e garantir a
privacidade e dignidade da sua identidade na comunicação com as
famílias.Na apresentação do guia, a
presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG),
Sandra Ribeiro, disse que "as escolas não são o que eram há 20 ou 30
anos atrás”, mas continuam a ser “lugares de discriminação” e reconheceu
que é necessário “combater preconceitos” e tornar os estabelecimentos
de ensino espaços seguros para todas as crianças e jovens.Sandra
Ribeiro considerou que “a discriminação é palpável” e que, por isso, é
fundamental que quem trabalha nas escolas tenha a capacidade de
reconhecer comportamentos de violência e dar-lhes resposta.O
guia sublinha também a necessidade da aposta na formação do pessoal
docente e não docente, fornecendo um conjunto de orientações que,
segundo a presidente da CIG, “devem ser vistas como um instrumento base
para dar apoio ao pessoal docente”, dotando-o de conhecimentos e
competências profissionais para encontrar respostas adequadas a
problemas que afetem o bem-estar dos alunos. A
presidente da CIG reconhece a importância deste documento reside na
urgência de educar as crianças e jovens para a igualdade e para a
diversidade, acreditando que “é através da educação que podemos fazer a
verdadeira diferença”. Para Sandra
Ribeiro, para haver mudança é preciso “reconhecer erros do sistema e
problemas e enfrentá-los de frente”, afirmando que isso é o que o
conjunto de orientações visa realizar. O
diretor de serviços de Projetos Educativos da Direção-Geral da Educação,
José Carlos Sousa, adiantou que “a educação tem feito um caminho na
linha da inclusão” e sublinhou a necessidade de reconhecer que os alunos
“nunca tiveram tanta informação e desinformação” ao mesmo tempo, pelo
que é fundamental dotá-los de espírito crítico e analítico.