Escolas superiores criam Conselho Nacional para debater "problemas" da formação de enfermagem
5 de mai. de 2022, 10:34
— Lusa/AO Online
“Há
um conjunto de problemas vasto e de diferente ordem, mas que se prendem
todos eles com as questões do ensino da enfermagem que este conselho
irá debater e produzir estudos que possam servir de debate público sobre
estas questões”, adiantou à Lusa Aida Cruz Mendes, presidente da Escola
Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC).No
final de 2021, realizaram-se as primeiras reuniões por um grupo de
trabalho constituído por responsáveis pela formação em enfermagem de
todas as escolas públicas do país, que culminaram com a formalização do
CNEPE, através de uma Carta de Princípios assinada esta semana.“Foi
sentindo e ouvindo as dificuldades que os docentes de enfermagem têm
vindo a relatar, que os responsáveis pelas instituições se reuniram e
consideraram importante criar este conselho que foi agora formalizado”,
adiantou Aida Cruz Mendes.Segundo a
responsável da ESEnfC, os diferentes grupos de trabalho estão já a
trabalhar em estudos sobre “problemas que se relacionam com a educação
em enfermagem”, apontando o exemplo do envelhecimento do corpo
docente que obriga a uma renovação.Outras
das questões tem a ver com a articulação entre a academia e os contextos
clínicos onde uma parte do ensino da enfermagem decorre, assim como com
a representação da enfermagem enquanto área científica e a sua
visibilidade nos classificativos da ciência, adiantou a professora.De
acordo com Aida Cruz Mendes, os cursos de enfermagem, neste momento,
“não permitem que haja um maior número de formandos por ano”, uma vez
que se trata de uma “formação que exige muitos recursos” e que em parte é
feita em contexto clínico, onde é preciso que “tenha também as
condições necessárias para acolher os estudantes”.“Isso
impõe algumas restrições ao número de estudantes que é possível acolher
todos os anos”, adiantou a presidente da Escola Superior de Enfermagem
de Coimbra, salientando que as instituições públicas formaram cerca de
3.900 enfermeiros em dois anos.“Penso que
será muito difícil, mantendo a qualidade, aumentar este número”,
salientou Aida Cruz Mendes, para quem a “formação dos enfermeiros exige
uma responsabilidade social muito grande e a qualidade não pode ser
diminuída em detrimento da quantidade”.A
Carta de Princípios do CNEPE foi assinada pelas escolas superiores de
enfermagem de Coimbra, Lisboa, Évora, Minho, Beja, Bragança, Leiria,
Portalegre, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Viseu, Açores, Algarve,
Aveiro, Madeira e Trás-os-Montes e Alto Douro.