Escolas públicas profissionais sem acesso a financiamento
29 de dez. de 2017, 18:55
— Lusa/AO online
Segundo
o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, as escolas públicas com
cursos profissionais começaram a saber neste mês que não se podiam
candidatar a financiamento, não havendo até ao momento um esclarecimento
por parte do Ministério da Educação sobre o assunto.Só
na região Centro, o problema afeta 80 escolas, 175 turmas e cerca de
cinco mil anos, sublinhou Mário Nogueira, considerando que a situação
poderá levar a um aumento do abandono escolar, bem como a um incremento
da dívida das escolas, que se poderão ver forçadas a dispensar
formadores.De
acordo com o secretário-geral da Fenprof, todos os cursos foram
"devidamente homologados pelo Ministério da Educação", sendo que as
aulas se iniciaram com algumas escolas a adiantarem o dinheiro com
verbas de outras rubricas - à espera de mais tarde receberem o dinheiro
na sequência da candidatura - e outras com as famílias a suportarem
todas as despesas."Começa
a surgir uma situação muito complicada para as escolas", constatou
Mário Nogueira, sublinhando que a dívida resultante do não financiamento
destes cursos poderá ultrapassar 1,5 milhões de euros.Durante
a conferência de imprensa, que teve lugar em Coimbra, na Escola
Secundária Avelar Brotero (a mais afetada, com 11 cursos profissionais),
Mário Nogueira questionou ainda se esta situação estaria relacionada
com as afirmações do primeiro-ministro, em 2016, quando os colégios
privados protestavam contra os cortes nos contratos de associação."Recorde-se
que o primeiro-ministro, naquela altura, oferecia aos colégios três
contrapartidas, que, esclarecia, se concretizariam na possibilidade de
aprofundar ‘outras formas de parceria' com o ensino privado,
nomeadamente nas áreas do pré-escolar, ensino artístico e ensino
profissional", afirmou o dirigente sindical.Nesse
sentido, Mário Nogueira questiona se o impedimento das escolas públicas
se candidatarem ao financiamento dos cursos profissionais está
relacionado com "esse compromisso"."Será
que esse compromisso está a levar o Governo a canalizar todo o ensino
profissional para o privado, retirando-o das escolas públicas? (...) É
esse o esclarecimento que a Fenprof exige do Governo, para além de
também exigir que, urgentemente, as escolas públicas recebam as verbas a
que têm direito e que necessitam para funcionar e que as famílias sejam
devidamente ressarcidas", asseverou o secretário-geral da federação,
salientando que no dia 03 de janeiro tem uma reunião marcada com a
tutela sobre outro assunto, mas que vai aproveitar para questionar o
Ministério da Educação.Na
conferência de imprensa, dois docentes de escolas públicas com cursos
profissionais, Carlos Diz e Conceição Mesquita, alertaram para os
impactos da situação, nomeadamente, a dificuldade em assegurar as
refeições aos alunos a partir de janeiro, a possibilidade de docentes
irem para "horário zero" e evitar-se as aulas práticas e técnicas por
carência de recursos. "Atinge os alunos, atinge as turmas e atinge os professores", resumiu Carlos Diz. A
Fenprof informou ainda que vai fazer um levantamento nacional da
situação, para perceber quantos alunos e escolas estão a ser afetadas
pela situação. Nas
regiões Norte, Centro e Alentejo, os cursos profissionais são
financiados por fundos comunitários, esclareceu Mário Nogueira,
referindo que na região de Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve os cursos
são financiados por via do Orçamento do Estado, sendo que a Fenprof vai
também averiguar se o próprio documento para 2018 prevê verbas para os
cursos profissionais das escolas públicas dessas duas regiões.