Escolas profissionais dos Açores exigem “clarificação” sobre estratégia para o ensino
9 de jan. de 2023, 16:47
— Lusa/AO Online
Em
comunicado enviado às redações, as escolas profissionais do arquipélago
questionam o executivo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) sobre se pretende
que as “estruturas formativas privadas e sociais” continuem a
“desenvolver a sua atividade em condições minimamente adequadas” ou se
deseja que o ensino profissional seja assumido “exclusivamente” pelo
setor público.“A AEPA considera
indispensável que haja uma clarificação da estratégia governamental
sobre o futuro do ensino profissional na região”, lê-se na nota de
imprensa.A associação critica a autoridade
gestora do Fundo Social Europeu nos Açores (sob alçada da Secretaria da
Juventude, Qualificação Profissional e Emprego), que “determinou a
aplicação de regras penalizadoras”, o que “acarretou avultados prejuízos
financeiros para as escolas profissionais”.A
escola profissional Aprodaz, com cerca de 90 alunos, decidiu encerrar
devido a dificuldades financeiras, tendo um passivo de cerca de 500 mil
euros, segundo avançou na quinta-feira o jornal Açoriano Oriental.A
AEPA lamenta o encerramento da instituição e diz “não compreender o
desconhecimento manifestado publicamente” pela secretária da tutela, uma
vez que existiu uma reunião e decorreram contactos com o executivo
sobre o assunto.Em
declarações à RTP/Açores, a secretária da Juventude, Qualificação
Profissional e Emprego, Maria João Carreiro, avançou que o Governo
Regional não tinha conhecimento formal sobre o encerramento da escola.A
AEPA alerta para os “problemas financeiros” de várias escolas
profissionais nos Açores, dando o exemplo da Escola Profissional do
Pico, que se encontra com salários em atraso.“A
AEPA espera que este enquadramento particularmente difícil do ensino
profissional na região não seja o início de uma estratégia para reforçar
o ensino profissional em escolas de ensino público da região em
detrimento das escolas profissionais de direito privado”, afirma.A
associação pede a divulgação com “urgência” das regras do próximo
Quadro Comunitário de Apoio e considera de “primordial importância que
haja uma comunicação transparente e eficaz” quanto ao futuro do ensino
profissional no arquipélago.“A AEPA
estranha também que não tenha ainda sido dada resposta à audiência já
solicitada ao senhor presidente do Governo dos Açores, considerando-se
que toda a matéria envolvente ao ensino profissional na região carece de
medidas urgentes”, avança a organização.Na
sexta-feira, o Governo açoriano anunciou a criação de um apoio às
escolas profissionais que vai suportar, de “forma excecional e
transitória”, os encargos financeiros resultantes das operações de
financiamento bancário das instituições.A
AEPA alerta que esse apoio “se destina exclusivamente a fazer a
transição” entre os Quadros Comunitários de Apoio, tratando-se de
“verbas que são devidas às escolas profissionais por direito”.“É
uma solução que se reconhece como uma medida muito positiva em relação à
continuidade dos percursos formativos dos jovens da região, mas que se
lamenta que peque por tardia, uma vez que, como se sabe, o ano letivo
iniciou há quatro meses”, conclui a associação.Nos
Açores existem 791 alunos matriculados no ensino profissional em
2022/23, mais 71 do que no ano letivo anterior, segundo dados divulgados
pelo Governo Regional em setembro.