Escolas precisam de mais recursos para prevenir casos de ‘bullying’
1 de fev. de 2025, 09:31
— Lusa/AO Online
“Momentos
como os intervalos das aulas deviam ser momentos de maior tranquilidade
e são, por outro lado, o momento de maior vulnerabilidade por parte das
vítimas. Os recursos têm de ser reforçados”, defendeu Mafalda Ferreira,
em declarações à agência Lusa.O
Observatório Nacional do Bullying, uma plataforma informal de denúncia,
foi lançado pela Associação Plano i em 30 de janeiro de 2020 e, desde
então, recebeu 666 denúncias.Ao longo dos
últimos cinco anos, as tendências mantiveram-se: as raparigas são mais
vulneráveis, os casos acontecem sobretudo no recreio sob a forma de
violência psicológica e são vários os agressores.De
acordo com os relatos, os intervalos da manhã e da tarde são os
períodos de maior ocorrência de situações de ‘bullying’, “momentos em
que há menor supervisão dentro do contexto escolar”, sublinha a
investigadora.Esta maior incidência revela
que as escolas dispõem de poucos recursos, nomeadamente assistentes
operacionais e, por isso, Mafalda Ferreira destaca a necessidade de
reforçar o pessoal docente e não docente, mas também de mais formação e
sensibilização para o tema.“É preciso que
existam mais pessoas e que saibam que o seu papel enquanto testemunhas é
crucial na forma como este crime se desenvolve”, refere, justificando
que a forma como atuam perante situações de ‘bullying’ pode “perpetuar
este fenómeno ou interromper”.“Muitas
vezes, têm receio de intervir por medo de represálias, por falta de
informação, de saber como agir, por conformismo social. A partir do
momento em que tenham uma atitude mais proativa, podem reduzir a
frequência e o impacto das agressões”, explica.No
entender da investigadora, a sensibilização deve incluir também os
encarregados de educação e os próprios alunos, neste caso com um foco em
questões como a violência interpessoal, gestão emocional e de
conflitos, comunicação positiva e a empatia, diversidade e respeito.Segundo
um balanço das denúncias reportadas entre 2020 e 2024, a média das
idades das vítimas é 13,7 anos, maioritariamente raparigas (59%),
enquanto os agressores foram sobretudo rapazes (56%) com uma média de
13,23 anos.Os dados mostram também que os
anos de escolaridade de maior ocorrência são no 1.º ciclo (32,9%),
seguido do 3.º ciclo (23,4%) e do 2.º ciclo (22,4%), mas não significa
que as crianças mais novas sejam mais vulneráveis.“Podemos
assumir que os pais, o pessoal docente e não docente, as testemunhas
estão mais sensibilizadas, por vezes, em torno da idade da criança, o
que faz com que haja uma maior tendência para repudiar este
comportamento e considerá-lo digno de ser comunicado”, refere a
investigadora, sublinhando que, por outro lado, a supervisão nas escolas
também é maior no 1.º ciclo.Por outro
lado, os relatos, apresentados frequentemente pelos encarregados de
educação, mostram que as situações de ‘bullying’ ocorrem sobretudo
presencialmente, mas com as novas tecnologias acabam por extravasar,
cada vez mais, esse contexto.A tendência
começou durante a pandemia da covid-19, quando as escolas fecharam
portas e os alunos continuaram a estudar em casa, mas não se limitou a
esse período e tem-se agravado desde então, refere Mafalda Ferreira.“Não
podemos ignorar o que vemos à nossa volta no contexto das camadas mais
jovens e do uso precoce dos telemóveis. Faz com que o ‘bullying’ não
cesse naquele momento”, sublinha, referindo como exemplo que os alunos
podem ser vitimas mesmo dentro da sala de aula, através das redes
sociais, e depois de regressarem a casa. O
formulário para a apresentação de denúncias está disponível na página
do Observatório Nacional do Bullying, em
www.associacaoplanoi.org/observatorio-nacional-do-bullying.