Escolas fechadas e hospitais a meio-gás marcam primeiras horas da greve
Função Pública
26 de out. de 2018, 10:37
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa esta manhã junto ao Liceu Passos Manuel,
em Lisboa, que estava encerrado devido à paralisação, o secretário-geral
do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP), José
Abraão, disse que os primeiros sinais de "uma grande adesão chegaram da
área das autarquias (transporte de resíduos sólidos e lixo), que está
praticamente parado de Norte a Sul do país".“Na
área da saúde, no turno da noite, estão sobretudo a funcionar os
serviços mínimos, das escolas chegam-nos sinais de encerramentos em todo
o país. Portanto nesta altura estamos a prever uma greve com alguma
importância, com significado”, disse.José
Abraão diz que os trabalhadores "estão cansados da orientação de que
estão a ser repostos rendimentos e direitos, mas não o sentem, por isso,
é que a nossa exigência no sentido dos aumentos salariais para todos os
trabalhadores sem distinção".“Esta
greve é também um apelo claro ao Governo no sentido de dizer que não
vale a pena manipular os números daquilo que o Orçamento do Estado
contem para Administração Pública, porque governar é optar como diz o
senhor primeiro-ministro. Então se é assim, é hora de optar pelos
serviços públicos que estão degradados com falta de pessoal, onde cresce
permanentemente a precariedade”, sublinhou.No
entendimento do dirigente sindical, é chegada a hora de com tempo o
Governo “dar um sinal a estes trabalhadores mostrando que é possível
aumentar os seus salários, motivando, induzindo confiança com vista ao
futuro dos serviços públicos, desde a área da saúde, educação, da
justiça em concreto onde se vivem problemas enormes”.“Temos
também de dizer que há também o problema das carreiras profissionais.
Há cerca de 80 carreiras profissionais que não estão revistas como é o
caso concreto das inspeções, da ACT [Autoridade para as Condições de
Trabalho], da Segurança Social e dos jogos e casinos, entre outras, que
não veem as carreiras revistas desde 2009 e agora estão a tentar impor
medidas e carreiras categoriais que não são aceites pelos
trabalhadores”, disse.José Abraão lembrou ainda que nos próximos dias vão continuar as greves na administração pública.“Na
segunda-feira, os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica têm
uma manifestação que vai até ao parlamento. Temos cerca de 30 mil
trabalhadores em contrato individual de trabalho a quem foram atribuídas
35 horas e continuam a fazer 40 porque são impostas e não é refeito o
seu percurso profissional”, disse.José
Abraão disse ainda que “este governo liderado por quem é e apoiado
pelos partidos à esquerda vai decerto compreender este desconforto,
descontentamento e procurar resolver alguns problemas celebrando acordos
porque a nossa matriz enquanto FESAP e UGT é a da negociação.“Claro que quando isto não resulta as pessoas têm de protestar”, concluiu.Também
a vice-presidente da Federação Nacional de Educação (FNE) e presidente
da UGT, Lucinda Dâmaso, disse em declarações à Lusa que o nível e adesão
das escolas em todo o país “é muito elevado”, com escolas encerradas.“Está
em causa um desprezo total pela educação, pelos trabalhadores da
educação e pelos trabalhadores da administração pública. Temos um OE que
não vem ao encontro ao que seria o desejável (…)”, disse.Lucinda Dâmaso indicou também que todas as formas de luta estão em cima da mesa.“Não
vamos desistir. Iremos continuar numa luta sem fim até que o governo
ceda naquilo que é fundamental para a educação e para os trabalhadores
em global, para administração publica”, frisou.Inicialmente
a greve foi convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração
Pública (ligada à CGTP) para pressionar o Governo a incluir no Orçamento
do Estado para 2019 (OE2019) a verba necessária para aumentar os
trabalhadores da função pública, cujos salários estão congelados desde
2009.Contudo,
após a última ronda negocial no Ministério das Finanças, em meados de
outubro, a Federação de Sindicatos da Administração Pública e o
Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, ambos filiados na UGT,
anunciaram que também iriam emitir pré-avisos de greve para o mesmo dia,
tendo em conta a falta de propostas do Governo, liderado pelo
socialista António Costa.